Alerta

Competição por preço na crise é um grande risco

05-09-2017
Fonte: Alessandro Torres
Foto: MT Econômico

O consultor Ricardo Amorim, economista mais influente do Brasil, esteve no Fórum Sebrae de Negócios nesta segunda (04), realizado no Centro de Eventos Pantanal em Cuiabá/MT.

Durante sua palestra disse que o Brasil, apesar da crise vive um momento de transição positiva. “A economia vive de ciclos e quando a situação está muito turbulenta, principalmente na política que impacta diretamente a economia, a tendência é ter uma melhora posterior. Um ciclo de mercado dura em torno de 3 a 8 anos, tanto bom quanto ruim”, ressalta.

Entretanto os empresários precisam ficar atentos à guerra de preços em momentos de crise. Amorim disse ao Mato Grosso Econômico que este é um dos fatores mais perigosos no mercado.

“A redução de preço significa diminuição de margem e quando isso ocorre, a empresa fica com menor capacidade de investimento em inovação, além de ter menor rentabilidade. Não é um processo sustentável, acaba sendo uma estratégia de curto prazo arriscada” alerta.

Segundo o economista, a única forma de reduzir preço de maneira mais assertiva é diminuindo custos, inovando, otimizando processos e encontrando melhores formas de atuação empresarial. “Caso contrário o produto vira uma commodity, ou seja, sem diferencial. É preciso mostrar o que o seu produto tem que os outros não tem” complementa.

Agronegócio e Indústria

O agronegócio vem puxando o Brasil e deve continuar, pois a China aumentará cada vez mais a demanda por alimentos no país. Entretanto, a Índia cresce mais do que a China e deve ser o principal demandador do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

“Além da produção, Mato Grosso deve investir também em agregar valor na produção. O Chile já foi exportador de uva e hoje é de vinho. É preciso agregar a cadeia produtiva aproveitando os recursos existentes”, disse.

As cidades que mais cresceram no Brasil nos últimos 15 anos foram do interior, devido ao agronegócio e também a indústria que é muito promissora do país. “A região de Franca/SP cresceu por conta do setor de calçados. Joinvile foi puxada pelo setor de auto peças, pois várias montadoras foram para lá. Em Caxias do Sul, o crescimento foi devido ao polo industrial metal-mecânico”, comenta o economista.

Recomendações em momentos de crise

Ricardo Amorim recomenda aos empresários neste momento de crise algumas ações importantes, entre elas cuidar do caixa da empresa, controlando custos, mas não deixando de aproveitar para fazer investimentos. Outra sugestão é investir em inovação, melhorar processos internos, produto, serviço e atendimento.

“A recuperação econômica está por vir e essa transição aproveitará quem estiver mais preparado no mercado”, finaliza Amorim.

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