YOUTUBER DE SUCESSO

Comparação de maquininhas de cartão vira um grande negócio

O canal no Youtube Pagamentos Móveis tem 33 mil seguidores e faz críticas sobre as diversas maquininhas no mercado
02-11-2018
Fonte: Redação
Foto: Reprodução

Parece um negócio simples, mas que ninguém pensou, exceto o blogueiro Marinaldo Santos Nogueira que transformou esse filão em um grande negócio atraindo mais de 33 mil seguidores no seu canal do Youtube 'Pagamentos Móveis'.

E como o mercado de meios de pagamento está em ebulição entre as operadoras de POS, as ‘maquininhas de cartão’ estão cada vez mais em evidência. A última novidade, a Moderninha Smart, lançada pela PagSeguro acirra ainda mais a briga com as concorrentes Cielo e Rede, ao almejar as varejistas. Com tantas soluções disponíveis, que vão de aparelhos especializados em cobrança de dízimo para igrejas a smartphones que acoplam soluções completas e personalizadas de pagamento, é raro quem não fique confuso na hora de escolher uma opção. 

Apesar de ser um nicho muito específico, o engajamento e o valor que os seguidores dão a seu serviço é de fazer inveja em muitos youtubers ascendentes. O mais novo, que explica as funcionalidades da Moderninha Smart durante uma hora e meia, foi publicado e registrou mais de 1.500 acessos. Há vídeos com 500, 2 mil, 10 mil, 39 mil, 80 mil, 109 mil e até 250 mil visualizações (este, o primeiro vídeo do canal, é sobre o leitor de cartões pelo celular também da PagSeguro, um dos primeiros produtos da companhia). E todos com algum comentário, sugestão, crítica ou dúvida.

O sucesso do Pagamentos Móveis tem muito a ver com a própria evolução da economia brasileira. Com o aumento do desemprego nos  últimos anos, muitos brasileiros foram – literalmente – para as ruas empreender. Em paralelo, uma mudança na regulação do Banco Central, que estimulou o surgimento de novos competidores alternativos ao tradicional duopólio Cielo-Rede, permitiu que o mercado tivesse mais opções de pagamento.

Os vídeos mais vistos do canal de Nogueira são relacionados à PagSeguro, empresa do grupo UOL que inovou ao oferecer máquinas de cartão a preço acessível, com foco no pequeno empreendedor.  Dos 15 vídeos mais assistidos, 12 são relacionados à empresa e todos de um ano atrás, quando o mercado ganhou maior importância no Brasil. O segundo vídeo mais popular, por exemplo, com 232.645 visualizações, é o “Cartões pré-pagos PagSeguro valem a pena?”, de janeiro do ano passado. Em um vídeo bem caseiro e sem recursos virtuais, Nogueira explica por longos 16 minutos as vantagens e desvantagens de usar cartões da empresa para receber o dinheiro das vendas e fazer compras.

A história do Pagamentos Móveis começou em 2013, quando a loja de variedades que Nogueira tinha em Minas Gerais faliu e ele se mudou para São Paulo. Entusiasta da internet, ele já vinha desde 2008 testando suas habilidades de blogueiro no site Vagaurgente.com, em que falava de vagas de empregos, estágios e concursos. Mas foi quando começou a revender camisetas importadas que ele percebeu como era difícil – e caro – para o pequeno empresário contratar uma maquininha de cartão.

“Eu sentei com as grandes empresas na época e não consegui fechar o contrato. O foco deles era ter clientes maiores e o próprio aluguel da máquina de cartão era muito caro. Fui atrás de outra solução para não depender de dinheiro, cheque ou vender fiado”, disse. Ao pesquisar a fundo o mercado, ele percebeu que começavam a surgir empresas, como a PagPop e PagSeguro, que ofereciam uma maneira de ler cartão de crédito pelo celular. “Percebi que tinha alternativas no mercado, mas de empresas ainda desconhecidas, que geravam desconfiança do pequeno empresário”, diz. Foi quando fez seu primeiro vídeo no youtube, o mais visto até hoje.

Como o negócio de camisetas ia bem, Nogueira cresceu e resolveu comprar uma loja de um concorrente e começou a vender mais itens. Em paralelo, soluções como Getnet, Stone, Elavon (adquirida pela Stone), Stelo, SumUp, iZettle, Bin e a própria PagSeguros foram ganhando mercado enquanto o canal de Nogueira ganhava mais relevância. O empresário passou a comprar e testar as máquinas no próprio estabelecimento e, depois, decidiu reservar um espaço na sua casa, que fica no bairro do M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, para criar uma espécie de mini-laboratório.

Até hoje, Nogueira já testou cerca de 60 diferentes soluções de pagamento e não fala qual considera a mais indicada para pequenos comerciantes, mas destaca que só vale alugar a máquina se o faturamento já for milionário e a recorrência de vendas mensal. Para quem é pequeno ainda, comprar ainda é a melhor solução e os preços estão caindo cada vez mais. Em setembro, foi convidado para falar sobre sua experiência a centenas de pessoas no Innovation Pay, evento especializado no mercado de pagamentos que aconteceu em São Paulo.

O canal hoje já é a principal fonte de renda de Nogueira, já que ele ganha por anúncios feitos e geração de leads. Mas ele não vai parar por aí. O youtuber já vende consultoria para quem quer montar seu próprio meio de pagamento e está desenvolvendo uma plataforma em que pretende comparar, entre as soluções de pagamentos que existem hoje – e não só maquininhas – qual é a melhor para cada pessoa, levando em conta se é pessoa física ou empresa, faturamento anual e se usa todos os meses ou não. “Estamos na fase de fechar parcerias com as empresas de pagamento. Nossa ideia é, no futuro, fazer também a comparação de outros serviços ligados ao setor”, diz Nogueira.

Além disso, no canal, já começou a falar também sobre aplicativos de pagamentos, carteiras e contas digitais e deve entrar em breve em searas novas, como cartões pré-pagos, investimentos, empréstimos entre pessoas e cashback. “Quero trazer representantes para falar sobre suas fintechs e como elas podem ajudar o brasileiro economizar tempo e dinheiro”, diz.

Estima-se que existam mais de 300 tipos de maquininhas, sendo que a maioria é uma versão customizada (chamada de whitelabel) das grandes empresas do setor (Stone, Cielo, Rede e GetNet). Apenas no primeiro semestre de 2018, o setor de cartões movimentou 720 bilhões de reais no Brasil, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 8,8 bilhões de transações de janeiro a junho.

Perguntado se o mercado precisa mesmo de tantas soluções, Nogueira diz que “é necessário criar a cultura do uso de maquininhas, especialmente entre os pequenos comerciantes”. Serviços cada vez mais específicos, como o da Fielzinha, desenvolvida para igrejas arrecadarem dízimos, ou da 99 e iFood, empresas de transporte e delivery de comida, ajudam a mostrar aos pequenos que há alternativas mais em conta. “À medida que mais fintechs surgem nesta área, mais os bancos e empresas tradicionais são forçados a se mover e apresentar melhores soluções. No fim, essa competição é muito boa para os empreendedores”, diz.

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