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Arábia Saudita suspende importações de carne brasileira, mas mantém MT como fornecedor

Mato Grosso não está impedido de exportar carne bovina para a Arábia Saudita, apesar de o país árabe ter anunciando suspensão temporária da produção originada em cinco unidades frigoríficas de Minas Gerais. Os dois estados registraram casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), doença mais conhecida como “mal da vaca louca”, no mês passado.

Mato Grosso é o segundo maior exportador nacional de carne bovina e detém o maior rebanho bovino do País, conforme noticiado pelo Mato Grosso Econômico.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, das 25,5 mil toneladas de carne bovina exportadas para a Arábia Saudita neste ano, 3,9 mil toneladas foram de Mato Grosso e 3 mil de Minas Gerais.

Depois da China, os países árabes são os maiores consumidores da carne bovina produzida no Estado.

A suspensão, por parte da Arábia Saudita, foi confirmada pelo Ministério da Agricultura (Mapa), mesmo após a confirmação de que os casos são atípicos e não representam perigo à saúde humana. Os dois casos da doença foram registrados em frigoríficos de Belo Horizonte (MG) e de Nova Canaã do Norte (MT). A China, em razão de protocolos sanitários acordados com o Brasil, optou pela suspensão das importações assim que os casos em questão foram admitidos pelo governo brasileiro.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os chineses são os principais compradores de carne bovina do Brasil. Somente este ano, já foram exportados US$ 3,54 bilhões para o país asiático. Mas a expectativa para esta semana é a retomada das exportações. O governo garantiu que vem negociando a volta, ainda mais com a confirmação de que os casos detectados no país não oferecem risco à cadeia de produção bovina do Brasil.

IMPACTO LOCAL – Após o surgimento dos novos casos da ‘vaca louca’ em Minas Gerais e Mato Grosso, o mercado do boi paralisou suas negociações dentro da porteira e suspendeu suas exportações, apontam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Na última semana, por exemplo, as cotações no mercado futuro do boi gordo apresentaram recuo de 5,94% ante a semana anterior, enquanto no físico a média semanal da arroba ficou em R$ 298,73 para o boi gordo à vista e R$ 286,58 para a vaca gorda à vista, decréscimo de 0,17% e 0,39%, respectivamente, no mesmo comparativo. “É importante destacar que a queda só não foi mais intensa porque parte dos agentes se encontraram fora das compras e as indústrias que sempre atenderam ao mercado interno mantiveram seus preços. Além disso, com os embarques suspensos temporariamente, os frigoríficos procuram alternativas para o escoamento da carne que estava a caminho dos portos, direcionando-as ao mercado interno”.

O Imea destaca que em agosto, Mato Grosso registrou recorde no volume total de carne bovina exportada, segundo a Secex. Nesse período, o Estado exportou 50,18 mil toneladas em equivalente por carcaça, volume 20,94% superior ao registrado em jullho. A China corresponde a 62% das exportações mato-grossense.

Ao analisar o acumulado de janeiro a agosto deste ano, ante ao mesmo período do ano passado (ano recorde de escoamento), o volume embarcado foi 5,32% menor. “Contudo, com relação ao faturamento, houve um acréscimo de 7,92% nesse mesmo comparativo. Vale destacar que esse movimento de alta nos envios de agosto foi um reflexo das limitações no volume exportado pela Argentina, somado com o baixo rebanho da Austrália e conflitos políticos entre o país da Oceania com a China (principal consumidora da proteína)”, completam os analistas.

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