Com aumento do dólar e insumos, entidades recomendam aos produtores uso da ‘poupança do solo’

As constantes altas do dólar e dos preços dos insumos agrícolas, os produtores precisam buscar alternativas diante desse cenário. Alguns itens essenciais aos produtores devem manter a trajetória de preços em alta. A composição de custos da nova safra de soja, a 2022/23 – a ser cultivada daqui a um ano – está levando os produtores a planejar muito bem a tomada de decisão quanto ao que plantar, quanto plantar e como plantar.

A estratégia de uso da ‘poupança do solo’ é uma recomendação das entidades do setor, que foi bastante utilizada na safra 2005/06, período em que a valorização cambial carregou os preços dos insumos para um patamar de alta, sendo necessária a revisão do planejamento nas propriedades. A recomendação é uma velha conhecida do campo – acompanha os ruralistas em tempos de crises, quando a taxa de câmbio encarece os custos de produção.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) Fernando Cadore, enfatizou que o momento do mercado é de alta dos preços e que o produtor não precisa ter pressa para comprar. “Não precisa ter pressa para pagar caro! Os preços de fertilizantes mais que dobraram no mercado. Essa é uma decisão pessoal de cada produtor, mas ele não pode pagar esse preço”, pontuou Cadore.

Uma outra forma de melhorar a competitividade agrícola e reduzir custos no campo é o uso do biocombustível, conforme citado pelo presidente da Aprosoja e noticiado pelo Mato Grosso Econômico anteriormente.

A entidade ainda ressalta que a safra 2022/23, com a alta dos preços e a falta de insumos, o produtor rural deve buscar uma consultoria agronômica e fazer uso racional de fertilizantes, usando a reserva de solo, a chamada, ‘poupança do solo’.

“Use menos adubo. Utilize sua reserva de solo e otimize a viabilidade da safra. Procure a orientação do seu agrônomo, avalie os nutrientes que seu solo possui e se for possível plante sem adubar, utilizando apenas a reserva de solo”, destaca o presidente.

Em tempos de custos mais acessíveis, o solo é bem nutrido e por isso, há essa reserva de nutrientes que pode ser utilizada em momentos menos favoráveis como o atual.

Além dos fertilizantes, o preço de muitos outros itens utilizados na lavoura subiu. É o caso dos maquinários, combustível e matéria-prima. Por isso a recomendação é evitar comprar sem necessidade para poder diminuir os custos. “Não é hora de comprar maquinários e fazer dívidas. Os preços estão cada vez mais altos e a aquisição sem necessidade pode causar endividamento do produtor”, frisa o presidente da Aprosoja/MT.

Fernando Cadore ainda pontua que se for preciso o produtor tem que plantar sem fertilizantes. “Se possível, o produtor deve fazer o uso zero de adubos, para melhor a viabilidade da lavoura e se manter na atividade”.

O presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir MT), Otávio Palmeira, frisa que em virtude do cenário de preços altos de vários insumos da safra 2022/23, principalmente dos fertilizantes, se solidariza com as orientações do presidente da Aprosoja/MT.

“O momento é de cautela e não fazer compromissos que posam onerar a atividade agrícola para próximos anos. Apoiamos desta forma as recomendações da Aprosoja/MT. As altas dos fertilizantes atingem os irrigantes de Mato Grosso, que também são produtores de soja, milho, algodão, feijão e demais culturas e atividades do agro que são irrigadas”.

RESERVA DE SOLO – A reserva ou poupança no solo é quando a lavoura retém nutrientes aplicados de outras safras. O produtor, ao longo do tempo, aplica os insumos projetando uma produção mais alta, fazendo com que permaneça no solo uma quantidade de nutrientes. Outro fator que auxilia na manutenção da adubação no solo é o plantio direto.

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