Entidades da pecuária se unem em protesto contra Bradesco e fazem churrasco na porta das agências de MT

Entidades ligadas à pecuária de Mato Grosso aderiram ao movimento nacional “Segunda com Carne” e realizaram, no final da manhã de ontem, churrasco nas portas de agências do Bradesco em várias cidades de Mato Grosso. Em todos os locais, espetinhos foram distribuídos à população.

Em Cuiabá, o manifesto ocorreu na agência Centro, localizada na rua Barão de Melgaço. No interior, o movimento uniu representantes do setor em frente às agências do Banco em Rondonópolis, Mirassol D‘Oeste, Água Boa, Canarana e Barra do Garças. O objetivo era protestar contra uma campanha de marketing do Bradesco que foi ao ar no dia 23 de dezembro, recomendando “a segunda sem carne”.

“Somos a maior pecuária do Brasil e com muito orgulho. Mato Grosso tem hoje mais de 32 milhões de cabeças de gado. Produzimos em um sistema socioambiental adequado e sustentável, portanto, não admitimos que grandes instituições/marcas façam publicidade negativa sobre a pecuária”, afirma o presidente da Nelore Mato Grosso, Aldo Rezende Telles.

A entidade afirma ainda que é fundamental defender o consumo da carne, que é um alimento necessário à mesa de todos os cidadãos. Além disso, o setor da pecuária tem trabalhado para melhorar a qualidade do produto que vai à mesa dos brasileiros e a um preço justo. “Todos os dias com carne e também a segunda-feira! Nós exigimos mais respeito”, reforçou o pecuarista.

O presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, também se indignou com o posicionamento do Bradesco, principalmente porque o Banco, em um dos seus aplicativos, estimula a redução do consumo de proteína animal sob o argumento de reduzir a emissão de carbono. “Ora, se somos uma das cadeias mais importantes para a economia do país, como eles mesmos confirmam em sua carta aberta, principalmente num momento de pandemia e insegurança alimentar no mundo, como o banco atua com essas duas versões? Esse jogo duplo de morde-assopra tem que acabar. O produtor rural não precisa de mais inimigos ocultos. Acreditamos no trabalho sério e nos nossos verdadeiros parceiros”.

Nosso foco, como explicou o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Alex Wisch, “é pedir às pessoas que não deixem de comer carne e esvaziem suas contas do Bradesco” disse.

O presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Geraldo Delai, expressou que acredita que o banco “não se atentou pra importância do agro como seu cliente! Quando você sugestiona ficar um dia sem carne, inclusive, você não está falando só de pecuária, você engloba ai a suinocultura, a criação de carneiros, de frango, toda uma cadeia produtiva. Foi um tiro no pé”.

A retaliação mais imediata e expressiva em Mato Grosso veio do pecuarista e proprietário da Estância Bahia, Maurício Tonhá, de Água Boa. Em nota, ele afirma que a ação do Bradesco viola os mais de 40 anos de relacionamento com o Banco. E em resposta ao ato, que classificou como “insanidade”, retirou 100% da movimentação financeira que tinha com a instituição.

O Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), em resposta à campanha, explicou que “os modelos de produção que utilizam pastagens produtivas para a criação de bovinos contribuem positivamente para o balanço de carbono, sequestrando como gasto desse gás que produção a pecuária emite. Dessa forma, podemos dizer seguramente que a pecuária brasileira já resolve seus problemas com carbono” o que refuta o argumento primário da peça publicitária.

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PIOR MOMENTO – Além do estímulo ao não consumo, a campanha veio em um momento em que o setor produtivo acrescenta um indicador importante, mas negativo, ao saldo de 2021: A pandemia da Covid-19 trouxe o consumo de carne bovina para o menor nível em 25 anos. Não bastasse a perda de renda da população, os preços de cortes bovinos dispararam, na esteira de valores recordes da arroba do boi gordo, limitando o consumo interno, enquanto a China importa como nunca carnes do Brasil.

Agora, cada brasileiro consome 26,4 quilos desta proteína ao ano, queda de quase 14% em relação a 2019, quando ainda não havia crise sanitária. Este é o menor nível desde 1996, início da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A PROPAGANDA – O Banco Bradesco divulgou e meados de dezembro uma peça publicitária, em vídeo, em que digitais influencers oferecem dicas de como reduzir a pegada de carbono, sendo uma delas, a ação de reduzir o consumo de carne e adotar a prática ‘Segunda Sem Carne’, como ficou conhecido o movimento. No vídeo, uma influenciadora diz: ”a criação de gado contribui para as emissões dos gases do efeito estufa”.

Antes da virada do ano, o Bradesco afirmou em nota – assinada pelo próprio CEO – Octavio de Lazari Júnior, que a posição relatada no vídeo “não representa esta casa em relação ao consumo de carne bovina {…} e que diante do ocorrido, medidas foram imediatamente tomadas, incluindo a remoção do vídeo do ambiente público e, além disso, ações administrativas internas severas”. A nota finaliza dizendo que a instituição lamenta pelo ocorrido e reforça mais uma vez a crença irrestrita na agropecuária brasileira.

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