Incertezas sobre caso de ‘Vaca louca’ pressionam mercado da arroba

O setor de carnes aguarda informações mais claras do Ministério da Agricultura sobre a suspeita de um caso do “Mal da Vaca Louca” em Mato Grosso para entender a gravidade do problema. Em Minas Gerais foi detectado após exame de contraprova enviado para o Canadá.

A possibilidade da doença já tem sido suficiente para que os players lancem incertezas sobre o mercado nacional do boi e da vaca. Como destaca Luciano Vacari, gestor de agronegócios da Neo Agro Consultoria, na pecuária de corte, “somente a possibilidade de uma crise sanitária foi o suficiente para derrubar as cotações da arroba e impactar na bolsa de valores, o tal do mercado futuro”. Até que tudo venha as claras, como frisa, e certamente virá, as incertezas vão influenciar nas negociações em plena entressafra, quando geralmente os preços deveriam ficar valorizados devido a menor oferta de animais.

A agropecuária é uma das principais atividades econômicas do país e está presente em todos os municípios brasileiros, reforça Vacari. “Sua produção alimenta a população de mais de 100 países mundo a fora e é fonte de renda de muitas famílias, dos pequenos produtores aos grandes grupos agroindustriais. Toda essa riqueza, porém, tem algumas particularidades que a tornam extremamente vulnerável às intempéries climáticas, agronômicas, zootécnicas, sanitárias e aos acordos geopolíticos-econômicos entre nações”.

Uma análise recente da Neo Agro mostra que a desvalorização do preço da arroba neste momento poderá trazer prejuízos maiores do que os provocados pela crise sanitária de 2019, “afinal a expectativa para este segundo semestre era de alta nas cotações e os produtores estavam contando com essa rentabilidade. Muitos investiram no confinamento, por exemplo, que tem elevado custo de produção e cada real de desvalorização impacta diretamente no resultado final”, completa.

Em podcast publicado pela diretora executiva da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, ela avalia que se, de fato, o caso da doença for atípico, ou seja, a doença foi desenvolvida no próprio organismo no animal, é apenas uma questão de tempo para que tudo se normalize. “Sendo atípica e o País explicando rapidamente, nossos parceiros comerciais tendem a manter os acordos já firmados de exportação, disse. Mas acrescentou: “se for típica, por contaminação, aí é muito grave e a tendência é de que haja um bloqueio geral do mercado internacional”.

Em notas enviadas aos veículos de imprensa nessa semana, o Ministério da Agricultura não confirma e nem descarta o caso.

A NOTA DE ESCLARECIMENTO: Como membro da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Brasil adota os procedimentos de vigilância, investigação e notificações recomendadas pela instituição. Casos em investigação são corriqueiros dentro dos procedimentos de vigilância estabelecidos e medidas preventivas são adotadas imediatamente para garantir o controle sanitário. Uma vez concluído o processo em investigação, os resultados serão informados”.

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