Mato Grosso, maior produtor de grãos e algodão do País deverá responder sozinho por pouco mais de 31% da produção nacional da safra 2021/22. Conforme o 9º Levantamento da Safra de Grãos divulgado ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado – que é líder há 11 anos na oferta agrícola – está diante de mais um ciclo recorde e que deve somar 85,39 milhões de toneladas (t).

Caso a projeção se confirme, Mato Grosso registrará a maior expansão anual entre os maiores produtores brasileiros: 16,9% sobre o recorde anterior de 73,07 milhões t. Um terço da produção nacional sairá de Mato Grosso.

Os dados apontados pela estatal mantém uma projeção para lá de otimista sobre o milho segunda safra no Estado. Mesmo com reportes de clima adverso, seco, entre os meses de abril e maio, a projeção da Conab é de uma oferta – recorde – de 40,43 milhões t, 23,3% superior ao consolidado na safra passada, 32,80 milhões t. O cereal está no início da colheita, mas antes mesmo disso, entidades locais já davam como certo o recuo na produtividade e consequentemente, na produção.

Dentro do cenário apontado pela Conab, o milho é a cultura que mais vai registrar expansão nesta safra, no Estado. Enquanto a oferta cresce mais de 23%, a área plantada – também recorde – 11,2%, passando de 6,48 milhões de hectares (ha).

O algodão em pluma deve ficar 22,8% maior nesta safra, somando 1,98 milhão t. Na safra passada havia registrado oferta de 1,61 milhão t. A área cresceu 18,6%, passando a 1,14 milhão ha.

Consolidada desde abril, a soja mato-grossense 2021/22 registrou safra recorde com a oferta de 40,74 milhões t, ganho anual de 11,60%, já que em 2021 a produção havia rendido 36,52 milhões t. A área plantada, com novo recorde, chegou a 10,90 milhões ha, variação anual de 4,1%.

BRASIL – A safra brasileira de grãos 2021/22 se encaminha para a conclusão e a expectativa é de um novo recorde, com uma produção estimada em 271,3 milhões t. O volume representa um incremento de 6,2% sobre a temporada anterior, o que significa cerca de 15,8 milhões t a mais.

“A estimativa inicial da Companhia era de uma safra ainda maior quando, no primeiro levantamento, era esperada uma produção de 288,6 milhões de toneladas. Mesmo com a redução na expectativa em 6,4%, os agricultores brasileiros serão responsáveis pela maior safra da série histórica. O bom desempenho ocorre mesmo em um ano em que as culturas de primeira safra, principalmente soja e milho, foram afetadas pelas condições climáticas adversas registradas na região Sul do país e em parte do Mato Grosso do Sul”, destaca o presidente da Companhia, Guilherme Ribeiro.

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O MILHO – Na atual temporada destaque para a recuperação de 32,3% na produção de milho. Com uma produção estável na 1ª safra do cereal, próximo a 24,8 milhões t, a 2ª safra do grão tende a registrar uma elevação de aproximadamente 45% se comparada com o ciclo anterior, passando de 60,7 milhões t para 88 milhões t.

“No entanto, ainda precisamos acompanhar o desenvolvimento das lavouras, principalmente nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Nesses locais, a cultura se encontra em estágios de desenvolvimento em que o clima exerce grande influência no resultado final. Considerando a segunda safra, cerca de 25,5% do milho do país ainda está sob influência do clima”, explica o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen.

De acordo com o Progresso de Safra, publicado nesta semana pela estatal, a colheita do cereal de 2ª safra está em fase inicial, sendo Mato Grosso o estado com a maior área colhida registrada.

“As primeiras lavouras têm apresentado bons rendimentos, pois foram semeadas em período ideal. Já a onda de frio, ocorrida em maio, formou geadas de maneira pontual no Paraná, Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, o que não afetou a produtividade total. O desempenho das lavouras, inclusive, melhorou nos estados paranaense e sul-mato-grossense, devido ao bom regime hídrico”, pondera De Zen.

OUTRAS CULTURAS – Assim como no caso do milho, o clima frio não trouxe grande impacto na produção total para o algodão. Só para a pluma, é esperada uma colheita de 2,81 milhões t, aumento de 19,3% quando comparado com o ciclo 2020/21. Já para o feijão, as baixas temperaturas impactaram as produtividades das lavouras de 2ª safra da leguminosa. Destaque para a influência na variedade cores e preto, com redução na produtividade de 31,8% e 19,7% respectivamente.

“Com as condições climáticas desuniformes entre os estados produtores de feijão, variando entre estiagem e excesso de chuvas, a qualidade do grão a ser colhido na 2ª safra pode ter a qualidade comprometida”, esclarece o gerente de Acompanhamento de Safras, Rafael Fogaça.

Soja e arroz estão com a colheita praticamente finalizada. Para a oleaginosa, a Conab estima 124,3 milhões t produzidas, redução de 10,1% em relação à safra anterior, enquanto que o arroz deve atingir uma produção de 10,6 milhões de toneladas, volume 9,9% inferior ao produzido no ciclo anterior.

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