Pescadores e pesquisadores são contra extração de recursos pesqueiros no entorno da barragem do Manso

Pescadores e pesquisadores são contra extração de recursos pesqueiros no entorno da barragem do Manso, proposta pela Lei Estadual nº 11.486/2021. O texto destina essa área para prática de pesca esportiva, em que a pesca é feita por lazer e os peixes são devolvidos vivos para a natureza.

Além disso, a lei autoriza a pesca de subsistência mediante cadastramento dos integrantes das comunidades ribeirinhas em órgão competente.

De acordo com o deputado Wilson Santos (PSDB), que presidiu a audiência pública nesta segunda (23), a lei restringe a pesca às modalidades citadas em todo o Rio Cuiabazinho e também numa área de 80 a 90 km do Rio Manso, atingindo os municípios de Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste e Nobres.

Segundo o professor e biólogo Francisco de Arruda Machado, conhecido como “Professor Chico Peixe”, muitos peixes são lesionados e morrem pouco depois de serem soltos. “

O pesca e solta mata muito peixe. Pacus muitas vezes têm os olhos perfurados, quando o anzol pega na brânquia o peixe sangra depois de solto, morre. Quando o muco do animal é retirado, ele fica exposto a fungos, bactérias, protozoários. Quando ele é solto e fica ferido, ele nada se debatendo na água atraindo também piranhas”, afirmou. “Tirei essas conclusões após fazer 1500 horas de observação durante meu doutorado”, completou o pesquisador.

Além disso, ele sustenta que a instalação de pequenas centrais hidrelétricas (PCH) no Rio Cuiabá prejudicam o meio ambiente, provocando extinção de peixes, produção de mel, plantios e até mesmo a alimentação de diversos cuiabanos.

Extinção de peixes, produção de mel e plantios podem ocorrer com instalação de hidrelétricas no Rio Cuiabá, avaliam dois biólogos. A construção de uma pequena central hidrelétrica (PCH) afeta não só a bacia pesqueira, como também compromete a alimentação de dezenas de cuiabanos.

Em um primeiro momento, a consequência imediata, segundo Chico Peixe, será a diminuição da profundidade do rio. “Vai ser igual ao [rio] Jauru. O [rio] Jauru as seis usinas que foram construídas lá, local que tinha 1,80m de profundidade, hoje tem 25, 30 cm em determinados momentos”, lamenta o professor.

A ecóloga Luciana Ferraz, representante do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC), avalia que cerca de 300 famílias ribeirinhas serão impedidas de trazer o pescado para a mesa com a burocratização da pesca de subsistência. “A dona de casa em vez de ir até o rio buscar o peixe, tem de entrar num sistema que não existe ainda para poder se cadastrar e comer seu almoço. Isso é justo para ela? Será que é justo que esse trecho seja só para o pesque e solte?”, questionou.

O presidente da colônia de pescadores Z13, Jones Neves de Campos, criticou a lei. Ele acredita que a norma favorece empresários do turismo que ganham com a pesca esportiva. “O empresário quer brincar com o peixe, nós não, queremos peixe para dar para os nossos filhos”, disse.

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