Produção de algodão pode ser maior que estimativa da Conab

Em seu último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que o volume da safra de algodão 2021/22 no Brasil deve atingir um total de 2,7 milhões de toneladas. Mas algumas perspectivas apontam para uma safra ainda mais cheia. É o caso da Lefèvre Corretora, uma das associadas à Bolsa Brasileira de Mercadorias, que aposta em um volume de 3 milhões de toneladas.

Mato Grosso, maior produtor de algodão do País, teve mais de 70% das áreas destinação à produção da pluma semeadas dentro da janela ideal de cultivo. Com o adiantamento do ciclo da soja nesta temporada e o ritmo forte empregado na semeadura do algodão tende a diminuir os riscos com a produtividade. O saldo desse período favorável é de uma produção 20% maior, chegando nesse ciclo a 1,99 milhão de toneladas.

Nos últimos anos, o Brasil registrou alguns recordes de safra para a pluma. “Em 2020, foram 3 mi/ton, e, depois, em 2021, houve uma queda de mais de 15% na produção em função de redução de área plantada e das condições meteorológicas. Para este ano, eu acredito em uma safra de até 3 mi/ton”, comentou João Paulo Lefèvre, sócio da Lefèvre Corretora e presidente do Conselho de Administração da Bolsa Brasileira de Mercadorias, com atuação de mais de 35 anos neste mercado.

A tal alta se justifica no bom momento vivido pelo mercado da fibra natural. “Olhando para o ponto de vista do produtor e considerando os atuais preços de mercado, o cenário é fantástico e de uma rentabilidade espetacular e isso inclusive contribuiu para que houvesse um aumento de área novamente”, destacou. Segundo estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a área plantada com algodão no Brasil na safra de 2021/22 deve alcançar 1,55 milhão de hectares, aumento de 13,5% em relação à safra anterior. Na Bahia, onde os trabalhos já foram concluídos, a expansão de área foi de 15%. Outras regiões ainda não encerraram os trabalhos de semeadura.

Em relação aos preços, o mercado brasileiro vem seguindo o comportamento das cotações internacionais, como de costume. “O que a gente está sentindo agora, e que não se via há 13 anos, é uma variação grande nos preços. No mercado brasileiro em si, a alta está muito mais relacionada com o mercado internacional e com os contratos na Bolsa de Nova Iorque do que com a própria situação interna”, esclareceu.

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Olhando para frente, Lefèvre destaca que o mercado não está indicando novas altas nos preços. Hoje, por exemplo, o contrato com vencimento para março deste ano em NY aparece com valor superior ao vencimento de dezembro de 2022. Já o vencimento para dezembro de 2023 está com valor ainda mais baixo, mas ainda com patamares elevados frente a anos anteriores. “Este patamar de US$ 1,21 por libra peso (considerado elevado) é um a situação momentânea que está puxando as cotações. O mercado é soberano e antecipa tendências. Agora, ele já está precificando esse possível aumento de área desses próximos dois anos, por isso, os preços não sobem lá na frente e aparecem em patamares mais próximos do normal”, explicou.

Segundo ele, a precificação do vencimento para dezembro/22 em US$ 1,02, já é considerada excelente porque seria superior à média histórica para o período, mas Lefèvre deixa um alerta para os produtores: “É importante que os preços dos insumos não sejam precificados de acordo com as cotações atuais que estão mais altas. Se uma companhia de fertilizantes, por exemplo, precificar o produto com base no mercado spot para dezembro de 2023, aí a conta não fecha”, resumiu.

O ALGODÃO E A ALTA DO PETRÓLEO – Um importante sinalizador no mercado do algodão são os preços internacionais do petróleo e que passaram a subir após o início das tensões entre a Rússia e a Ucrânia. Esta semana, o barril do petróleo tipo Brent se aproximou dos US$ 100. “Obviamente, o petróleo em alta faz nosso concorrente, que é o poliéster, também subir de preço, mas ao mesmo tempo, faz com que o custo de produção do algodão suba por causa dos insumos, então, eles andam mais ou menos juntos. Mas se você tiver o petróleo em alta, por exemplo, o algodão normalmente acompanha. Não é uma regra de ouro, mas existe uma certa correlação”, esclareceu Lefèvre.

CONSUMO INTERNO – Segundo o dirigente há uma tendência natural de aumento no consumo interno do algodão frente a outras fibras em prol da sustentabilidade. Hoje, o Brasil é o maior exportador de algodão sustentável do mundo e com a maior produção global não irrigada. “O consumidor está prestando atenção nisso e, mesmo dentro da agricultura tradicional, a indústria busca pela rastreabilidade do produto que está comprando e sabe que, mesmo o algodão cultivado com uso de defensivos, está sendo produzido da maneira mais correta possível e com uma consciência ecológica. Então, acredito que isso dê sim um impulso no consumo da fibra natural”, finalizou.

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