Recuperação Judicial

Dois grupos de produtores rurais de Gaúcha do Norte entram com pedido de recuperação judicial

Com mais de duas décadas de atuação na produção de grãos, crises que atingiram o Grupo Wessner e Grupo Wochner são semelhantes
Sexta-feira 20 de Março de 2020
Assessoria
Dois grupos de produtores rurais de Gaúcha do Norte entram com pedido de recuperação judicial

Com mais de duas décadas de atuação em Mato Grosso, dois grupos de produtores rurais com sede em Gaúcha do Norte (distante 400 km de Cuiabá) entram com pedido de recuperação judicial. Tratam-se do Grupo Wessner e Grupo Wochner, ambos produtores de grãos, como soja e milho, que buscam renegociar passivos de aproximadamente R$ 20 milhões cada.

Os problemas financeiros dos produtores rurais são os mesmos que assolaram outros tantos em Mato Grosso. A baixa produtiva em safras consecutivas por conta de intempéries climáticas como longas secas fizeram com que os produtores precisassem tomar empréstimos com juros elevados, além da variação do dólar, que em 2015, por exemplo, registrou valorização recorde de 50% no ano.

Grupo Wessner

A história do Grupo Wessner na agricultura se iniciou em 1969, em Alecrim (RS) com o casal Aloísio Wessner e Maria Lourdes Wessner. Após passagem pela Argentina, a família retornou ao Brasil em 1980, para Nova Santa Rosa (PR), e adquiriu 28 hectares. Só então, em 1999, ao visar a expansão e o sucesso do negócio compraram sua primeiras terras em solo mato-grossense, no município de Gaúcha do Norte.

As dificuldades começaram na safra de 2015/2016 onde ocorreu uma seca devastadora no Estado, quando diversos municípios da redondeza foram obrigados a decretar situação de emergência. Naquele momento o grupo se viu obrigado a buscar recursos com instituições financeiras para arcar com os prejuízos. Nas safras seguintes as questões climáticas continuaram a provocar perdas, o que fez os empresários, novamente, renegociar débitos.

Por fim, com a absoluta falta de recursos para essa safra de 2019/2020, os produtores foram obrigados a reduzir aproximadamente 20% de sua área para plantio, ou seja, mantiveram o plantio de apenas dois mil hectares.

“São problemas que fogem ao controle do produtor rural. Mesmo os mais experientes, com décadas de atuação na atividade, acabam sendo atingido por esses problemas e variação de mercado, o que muitas vezes causa prejuízos enormes nas finanças destes grupos”, disse o advogado Euclides Ribeiro, da ERS Consultoria e Advocacia, responsável pelo processo de recuperação judicial.

Grupo Wochner

Já o Grupo Wochner de Michel Ariquenes Wochner e Ketelin Natieli Wochner, todos atuantes no segmento da agricultura, começou em 1999, com uma propriedade de 1.382 hectares.

O colapso financeiro no grupo Wochner começou em 2003, com cenário de crise tomado pela baixa dos preços e, devido ao preço do dólar à época, somado com a logística ruim no município de Gaúcha do Norte. O impacto foi tão grande, que o grupo recorreu na época à medida proposta pelo governo para prorrogação de dívidas, com juros de até 22% ao ano.

Já na safra 2010/11, outro problema, o atraso na entrega dos fertilizantes, além da qualidade destes e a troca de variedades de sementes, somada aos estragos causados pela ferrugem fez com que os produtores perdessem toda a safra.

Com o passar do tempo, os juros cobrados já tornavam as contas impagáveis, triplicando o valor inicialmente contratado a título de empréstimo.

“É um triste cenário que assombra os produtores rurais de todo o Estado. Para os que conseguiram permanecer na atividade até aqui, a recuperação judicial se tornou a última alternativa. Logo, se mostra imprescindível a mediação através  do Poder Judiciário, para a manutenção da atividade, evitando, assim, o encerramento de um setor fundamental para a economia nacional”, defendeu Ribeiro.


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