Cuiabá encerrou 2021 com 6º maior valor do País para a cesta básica

De acordo com balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em 2021, o valor da cesta básica aumentou nas 17 capitais onde o Departamento realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Apesar de Cuiabá estar fora da área de abrangência do levantamento, é possível avaliar o comportamento dos preços na Capital do Estado e ‘ranquear’ o valor médio do conjunto de alimentos básicos. Nessa comparação, a cesta básica cuiabana é a 6ª mais cara do País ao atingir o recorde de R$ 650,77.

Dentro do ranking do Dieese, em dezembro de 2021, o maior custo do conjunto de bens alimentícios básicos foi o de São Paulo (R$ 690,51), depois o de Florianópolis (R$ 689,56) e, em seguida, o de Porto Alegre (R$ 682,90).

Por região, Cuiabá lidera em valores no Centro-Oeste. Campo Grande fechou 2021 com o segundo maior valor médio, R$ 641,37, seguida por Brasília, R$ 621,56. Goiânia tem o valor regional mais baixo, R$ 597,24.

Como já noticiado pelo MT Econômico, desde dezembro do ano passado, a cesta básica de Cuiabá rompeu a casa dos R$ 600 e veio ao longo do ano registrando significativas variações mensais. O valor médio atual do conjunto de alimentos – dezembro de 2021 -, em R$ 650,77, além de recorde em toda série histórica local, é 8% maior se comparado a igual momento do ano passado, quando o valor médio encontrado na Capital era de cerca de R$ 602,42.

NO PAÍS – Conforme o Dieese, as altas mais expressivas – quando se compara dezembro de 2020 com o mesmo mês de 2021 – foram registradas em Curitiba (16,30%), Natal (15,42%), Recife (13,42%), Florianópolis (12,02%) e Campo Grande (11,26%). As menores taxas acumuladas foram as de Brasília (5,03%), Aracaju (5,49%) e Goiânia (5,93%).

Com base na cesta mais cara, que, em dezembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em dezembro de 2021, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 5.800,98 ou 5,27 vezes o mínimo de R$ 1.100,00. Em novembro, o mínimo necessário correspondeu a R$ 5.969,17 ou 5,43 vezes o piso vigente. Em dezembro de 2020, o salário mínimo necessário foi de R$ 5.304,90, ou 5,08 vezes o piso em vigor, que equivalia a R$ 1.045,00.

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COMPORTAMENTO DA CESTA EM 20211 – Os preços dos alimentos básicos, principalmente os que são commodities, seguiram elevados em 2021, por causa da demanda externa aquecida, do dólar em patamar atraente para as exportações e influenciando negativamente os custos de produção (elevando os preços dos insumos) e de problemas climáticos (seca, geada). Por outro lado, outros produtos tiveram redução de preço, uma vez que a economia seguiu em baixa, com poucos empregos gerados, crescimento da informalidade e alto desemprego, o que freou o consumo.

Muitos produtores não conseguiram repassar os aumentos para o preço final. Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos mostraram que, entre dezembro de 2020 e de 2021, nove produtos tiveram alta acumulada de preços em quase todas as capitais pesquisadas. Foram eles: carne bovina de primeira, açúcar, óleo de soja, café em pó, tomate, pão francês, manteiga, leite integral longa vida e farinha de trigo, no Centro-Sul, e de mandioca, no Norte e Nordeste. Por outro lado, batata, arroz agulhinha e feijão registraram taxas negativas na maior parte das capitais.

O PESO – Os aumentos de preços nos supermercados ao longo de 2021 refletiram em uma cesta básica 7,5% mais cara no quarto trimestre, em relação ao mesmo período de 2020. De acordo com dados de pricing Profit+, o café foi o principal responsável por puxar a alta da inflação no setor, com uma disparada de 66,8% entre outubro e dezembro. O preço do café moído 500g passou de R$ 8,43 em 2020 para R$ 14,06 no ano passado. O tomate aparece na sequência, com um salto de R$ 4,74 para R$ 7,76 por kg e variação de 63,7%. Antes comercializado por R$ 2,78, o açúcar cristal e refinado 1kg atingiu preço de R$ 4,20 no quarto trimestre – aumento de 51,1%.

Um estudo da Kantar, empresa de dados, aponta que a maior parte dos gastos das famílias latino-americanas é direcionada aos itens de cesta básica, comprometendo até 35% da renda das classes sociais mais baixas. Para a empresa, isso ocorre porque os alimentos apresentaram inflação de 19% no último ano. Na América Latina, Argentina, Brasil e México são os países com os maiores aumentos, respectivamente. Segundo a Kantar, os três países não conseguiram manter o volume de consumo acima do que tinham antes da pandemia e podem levar dois anos ou mais para retornar aos níveis econômicos de 2019.

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