Mesmo em alta, segmento de 0-KM acende alerta para desabastecimento de veículos

Embora no acumulado de janeiro a setembro de 2021, os emplacamentos de veículos continuem exibindo saldos acima dos registrados em igual período de comparação com 2020, em Mato Grosso, o segmento de veículos zero quilômetro acendeu o alerta amarelo no mês de setembro. As vendas caíram e refletem a falta de veículos novos, pela escassez de componentes eletrônicos para montagem das unidades.

Conforme dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), de janeiro a setembro, as concessionárias de Mato Grosso somam venda de 72.748 unidades, volume 18,49% acima das 61.397 unidades contabilizadas em nove meses do ano passado. Apesar do saldo positivo de 2021, as vendas de setembro foram as piores desde maio no Estado: 7.777 unidades automóveis e comerciais leves, caminhões, ônibus, implementos rodoviários e outros.

Analisando os dados do mês passado, há um recuo mensal – ante agosto – de 7,91% e uma perda ainda maior ante setembro do ano passado: 13,08%, mês de pico de mortes e registros de casos da pandemia do novo coronavírus. A queda na passagem de setembro para agosto no Estado, foi quase do dobro da perdas registrada na média nacional, em 4,43%.

A título de comparação, em agosto deste ano Mato Grosso comercializou 8.445 unidades, um dos melhores saldos do ano, e em setembro de 2020 haviam sido 8.947. No acumulado dos oito primeiros meses desse ano (até agosto), o Estado teve alta expressiva na comercialização de veículos, conforme noticiado pelo Mato Grosso Econômico aqui. No entanto, o cenário do último trimestre deste ano preocupa.

“A falta de veículos novos, em função da escassez de componentes na indústria, é um fenômeno global, que atinge outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Vivemos, hoje, possivelmente, o ponto mais crítico dessa crise de abastecimento de veículos, mas acredito que, nos primeiros meses de 2022, teremos uma clareza maior sobre a resolução do problema”, explica Alarico Assumpção Júnior, presidente da entidade.

De todas as vendas contabilizadas no Estado, 46,04% das unidades pertencem ao segmento de autos e comerciais leves, somando 3.335 unidades – que detém a maior fatia do mercado local – seguido pelo segmento de motos, que responde por 36,92% do mercado local. Foram 3.191 unidades vendidas de janeiro a setembro.

Em setembro, no País, o setor, como um todo, registrou retração de 4,43%, na comparação com o mês anterior. Em relação a setembro de 2020, a queda foi de 14,37%. O total de veículos emplacados no mês foi de 281.054 unidades.

REVISÃO DE PROJEÇÕES – Neste cenário, a Fenabrave também anunciou a revisão das projeções para o ano. Na análise, divulgada em julho, havia expectativa de crescimento de 13,6% sobre 2020. Agora, a projeção aponta alta de 11,1% para todo o setor.

“Estamos diante de muitas incertezas e da maior crise de abastecimento de veículos já vivida, nos últimos anos. Isso nos fez reduzir as expectativas de crescimento para o ano, infelizmente”, alerta Alarico Assumpção Júnior.

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