Novo reajuste de preços encarece de uma só vez diesel, gasolina e etanol

O anúncio de mais uma alta sobre os preços dos combustíveis derivados de petróleo, o segundo feito pela Petrobras em menos de 30 dias, já chegou às bombas dos postos de Cuiabá e Várzea Grande. Em geral, o litro da gasolina comum está sendo encontrado entre R$ 6,377, R$ 6,399, mas há revendas em que o valor passa de R$ 6,577. O diesel também está reajustado, com preços entre R$ 5,499 até R$ 5,577. Poucos estabelecimentos ainda revendiam os combustíveis a preços ‘antigos’, a R$ 6,199 ou a R$ 6,299, como no caso da gasolina.

A alta trouxe a reboque elevações sobre o litro do etanol hidratado. No final da semana passada, algumas revendas reduziram alguns centavos sobre o valor de bomba, trazendo o litro para até R$ 4,699, mas agora chega a R$ 4,899.

Desde ontem está valendo a nova alta anunciada pela Estatal. Nas refinarias o litro da gasolina vendido pela empresa às distribuidoras passou de R$ 2,98 para R$ 3,19, o que representa um aumento de R$ 0,21 ou de cerca de 7%. Já o litro do diesel passou a ser vendido por R$ 3,34, nas refinarias da Petrobras, o que representa um aumento de cerca de 9% sobre o preço médio atual, de R$ 3,06.

Na prática as novas altas devem encarecer em R$ 0,15 o litro da gasolina ao consumidor final e no caso do diesel, cerca de R$ 0,24 a mais ao consumidor.

Desde o último reajuste, há menos de 15 dias, o preço do litro da gasolina registrou máxima de R$ 7,047 em Alta Floresta. No Estado, a média em outubro estava, até o novo reajuste, em R$ 6.403.

No diesel a média estava em R$ 5,544 até o dia 23, com máxima de R$ 5,967, também em Alta Floresta.

A Petrobras justifica que os reajustes no preço garantem que o mercado “siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento”.

A Estatal destaca que a parcela da gasolina vendida nas refinarias no preço final do produto encontrado nos postos chegará a R$ 2,33, com um aumento de R$ 0,15. A variação é menor que os R$ 0,21 de reajuste nas refinarias porque a gasolina tem uma mistura obrigatória de 27% de etanol anidro.

No caso do diesel, a Petrobras calcula que o impacto para o consumidor final seja um aumento de R$ 0,24, porque o diesel vendido nos postos tem uma mistura obrigatória de 12% de biodiesel.

“O alinhamento de preços ao mercado internacional se mostra especialmente relevante no momento que vivenciamos, com a demanda atípica recebida pela Petrobras para o mês de novembro de 2021. Os ajustes refletem também parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio”, afirma a empresa.

Com mais um aumento nos combustíveis a tendência da gasolina acima de R$ 7 pode se tornar uma realidade no Estado, segundo noticiado pelo Mato Grosso Econômico anteriormente.

POLÍTICA DE PREÇOS DA PETROBRAS – Implementada em outubro de 2016 pelo então presidente Michel Temer, e mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, a política de preço de paridade de importação (PPI) faz cinco anos acumulando alta dos combustíveis muito acima da inflação, em todas e quaisquer comparações, desde a sua implantação.

Ontem, ‘aniversário do PPI’, a empresa fez mais um anúncio de aumento nos preços da gasolina e do diesel. Com isso, somente neste ano, já são, nas refinarias, 12 aumentos na gasolina, 13 no diesel e oito no GLP. A disparada no preço dos combustíveis é um dos fatores que mais pesam na inflação, que já passou de 10,2% nos últimos 12 meses.

Nos últimos cinco anos – de outubro de 2016 a outubro de 2021 – as altas, nas refinarias, foram de 107,7% para a gasolina, de 92,1%, para o diesel, e de impressionantes 287,9% para o gás de cozinha. Neste mesmo período, a inflação foi de 25,4%, medida pelo IPCA/IBGE. Enquanto isso, o salário-mínimo não teve ganho real. Ao contrário, variou 25%, abaixo da inflação.

O mesmo comportamento é verificado nos preços nos postos de revenda: Na gasolina, a alta acumulada em cinco anos é de 74,1%, no diesel, de 68,2% e no gás de cozinha, de 84,2%.

Isso significa que em outubro de 2016, com valores corrigidos pela inflação (IPCA/IBGE), o botijão de 13kg de gás de cozinha custava, em média, R$ 69,21 no Brasil. O litro da gasolina era vendido a R$ 4,58 e o do diesel, a R$ 3,76. Na semana passada, a média de revenda do botijão foi para R$ 101,96 (subiu 47% em cinco anos), o litro da gasolina alcançou R$ 6,36 (alta de 39%) e o do diesel R$ 4,98 (alta de 32%).

Os dados foram elaborados com base no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP) e nas estatísticas oficiais da Petrobras (refinarias) e da Agência Nacional de Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural (postos).

Leia também: Preços da gasolina e do etanol aumentam e se alinham entre postos de Cuiabá e VG

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