Greve não é descartada

Litro do diesel é reajustado em R$ 0,10 nas refinarias e desagrada caminhoneiros

O valor do diesel subirá dos atuais R$ 2,14 para R$ 2,24, em média
Quinta-feira 18 de Abril de 2019
Redação MT Econômico/Época
Litro do diesel é reajustado em R$ 0,10 nas refinarias e desagrada caminhoneiros

Foi anunciado no final da tarde dessa quarta-feira (17) o reajuste do litro do diesel em R$ 0,10 pelo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, nas refinarias. Segundo ele, a política de preços da estatal acompanhará a variação do combustível no mercado internacional, mas a periodicidade dos reajustes não será imediata. O valor do diesel subirá dos atuais R$ 2,14 para R$ 2,24, em média, nos 35 pontos de distribuição no país.

Castello Branco disse que o reajuste em R$ 0,10 nas refinarias não significa que o valor será automaticamente acrescido nas bombas, pois o preço do diesel vendido pela Petrobras representa apenas 54% do valor final do produto, ao qual é acrescido margens de lucro das distribuidoras, das revendas, dos impostos e da mão-de-obra.

“A expectativa é que a variação na bomba seja menor que R$ 0,10”, disse, que considerou baixo o risco de haver uma greve de caminhoneiros no país: “Não existe eliminação de risco [de greve]. Sempre existe o risco. Acho que o risco de uma greve é baixo”.

Na terça-feira, 16, o governo federal havia anunciado um pacote de medidas em socorro aos caminhoneiros, em uma tentativa de remediar a situação. Apesar da insatisfação, líderes afirmam que não deve acontecer uma nova paralisação. O principal motivo é o fácil acesso que eles possuem ao Planalto, algo que não acontecia antes. A insatisfação dos caminhoneiros, no entanto, não está aplacada.

Os caminhoneiros devem voltar a forçar outras medidas do governo. Isso porque, apesar de a redução do preço do diesel ser o foco das reclamações dos caminhoneiros, não têm sido cumpridos os valores mínimos no tabelamento do frete. Essa foi a principal conquista da categoria — junto do subsídio ao combustível — após a paralisação no final de maio de 2018. Além disso, segundo os caminhoneiros, a linha de crédito não ajuda grande parte dos caminhoneiros, que está endividada, e também há um contingente excessivo de trabalhadores na área.

Os pilares do programa governamental, o investimento de R$ 2 bilhões em obras em rodovias e o lançamento de uma linha de crédito pelo BNDES para os caminhoneiros autônomos no valor de R$ 500 milhões, chegaram a ser chamados de esmola segundo um líder.

“Ele não atende a nossas expectativas porque, na verdade, foi iniciativa do governo. Nos sentimos lisonjeados por sermos lembrados. Não vamos tacar pedra no pacote, mas não resolve nossos problemas”, afirma Ivair Schmidt, líder do Comando Nacional dos Transportes. “Hoje, o principal problema, é o excesso de caminhões. A redução do diesel e o tabelamento de frete são relevantes, mas não retiram esse excesso do mercado”, explica. Segundo ele, a solução seria o cumprimento da jornada de trabalho, de oito horas por dia. “Essas medidas são manobras para retardar o que é necessário. Mas o governo está condicionando a fiscalização da jornada de trabalho à construção de pontos de parada.” 


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