Impacto suinocultura

Acrismat Defende a retomada das atividades econômicas em Mato Grosso

Em carta aberta, entidade demonstra preocupação com o não funcionamento do comércio, bares e restaurantes, com o desemprego e o aumento no número de empresas fechadas
Sexta-feira 24 de Abril de 2020
Acrismat
Acrismat Defende a retomada das atividades econômicas em Mato Grosso

Os decretos municipais e estaduais que recomendaram o fechamento do comércio e de estabelecimentos de alimentação com restaurantes, bares e lanchonetes, e o isolamento social da população mato-grossense têm causado impactos significativos na economia do Estado. A inatividade desses setores provoca efeito cascata sobre o setor produtivo e na suinocultura não é diferente. Os produtores registram perda média de R$ 100 por animal enviado para abate. Isso ocorre em consequência da queda da demanda, que causou a desvalorização da proteína no mercado.

Tal situação fez com que a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), divulgasse carta aberta em favor da reabertura dos estabelecimentos comerciais no Estado. A entidade ressalta que se preocupa com a saúde e o bem-estar da população, mas reforça que o desemprego também é prejudicial às famílias.

Levantamentos recentes apontam o crescente número de pessoas perdendo empregos por conta do fechamento das empresas neste período quarentena. Segundo dados divulgados pelo Sebrae, 600 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas definitivamente em razão dos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus.

A entidade é favorável ao isolamento vertical como forma de enfrentamento à pandemia e à reabertura do comércio de forma gradativa e controlada. “Muitos postos de trabalho provêm do comércio. Nove em cada dez empresas não possuem estrutura para continuar com suas portas fechadas de forma indefinida, como vem acontecendo. Acreditamos que com fiscalização, cuidado e orientação seja possível a volta gradativa do comércio, para que a situação não piore e seja reversível em curto prazo”, destaca o diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues.

Confira a carta na íntegra

Primeiramente, a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso – ACRISMAT reitera a preocupação e o firme compromisso com a vida e segurança de nossa população, associados, clientes e colaboradores.

O isolamento social, atualmente imposto por decretos municipais ou Estaduais, não tem se mostrado eficiente ou eficaz. As empresas estão fechadas, mas há um alto nível de aglomeração de pessoas em ambientes como bancos, casas lotéricas, transporte público, supermercados e similares.

Reforçamos nosso posicionamento a favor da adoção do isolamento vertical como forma de enfrentamento à pandemia e pela reabertura gradativa e organizada do comércio. Acompanhamos diversas manifestações de especialistas e cientistas, porém não existe consenso e muito menos um juízo seguro em relação às práticas da quarentena.

Se protegermos as pessoas que se enquadram nos grupos de risco, poderemos retornar a nossas atividades de forma segura, respeitando às normas de saúde, respeitando o direito ao trabalho e, principalmente, respeitando o direito a uma vida digna.

Os comércios devem orientar os funcionários e colaboradores para que respeitem o que tem sido chamado de etiqueta de higiene no entrar e sair, fixar cartazes sobre o modo correto de lavagem de mãos, uso de álcool em gel, reforçar a higiene frequente de balcões, caixas, máquinas de cartão, telefones, e áreas de circulação de funcionários e clientes, evitar contato físico (aperto de mãos e abraços); e etiqueta respiratória, atendentes com máscara, principalmente aqueles com coriza, tosse ou espirros, que são medidas simples que podem minimizar a transmissão de doenças infecciosas, principalmente durante os atendimentos ao público, evitando aglomerações e não atender grupos de risco, estipular horários diferenciados por setor para evitar aglomeração em transporte coletivo.

Atenção! Muitos postos de trabalho provêm do comércio. Nove em cada dez empresas NÃO possuem estrutura para continuar com suas portas fechadas de forma indefinida, como vem acontecendo. De acordo com dados do SEBRAE, 600 mil micro e pequenas empresas já fecharam suas portas definitivamente, e 9 milhões de empregados já foram demitidos no Brasil. Isto já está acontecendo em MT. Não é achismo, é FATO!

Diversos alertas foram notificados aos Executivos Municipais com relação ao risco que corremos de fechamento de empresas e demissões em massa. Neste momento de crise, o poder de decisão pela reabertura do comércio está unicamente nas mãos do Executivo Municipal, independentemente do posicionamento dos governos do Estado e Federação.

Recebemos por parte do Executivo Municipal da Capital de MT, Cuiabá, um indicativo de reabertura do comércio para o dia 27/04/2020, e esperamos que seja cumprida. Nosso sentimento é de total insegurança e desesperança com as novas projeções.

Para as cadeias produtivas, o funcionamento do comércio é essencial, é para onde se concentram as vendas do mercado interno. Os suinocultores começaram a identificar as mudanças a partir da terceira semana de março, quando as medidas de isolamento social por conta da COVID-19 e fechamento do comércio iniciaram em grandes centros consumidores brasileiros. A queda do preço do suíno vivo, cuja média do quilo em Mato Grosso diminuiu de R$ 4,58 em 11/03/2020 para R$ 3,58 em 16/04/2020, e a previsão para os próximos dias é de R$ 3,20, um prejuízo de R$ 100,00 por animal, considerando um suíno de 100 quilos quando encaminhado para abate, já que o custo de produção oscila entre R$ 4,20 a R$ 4,50, pois justamente nas semanas em que o preço do suíno despencou, o milho e a soja (responsáveis por 95% da ração), atingiram preços recorde, sendo que o farelo de soja chegou a ser vendido a mais de R$ 1.700,00 reais a tonelada, e a saca do milho chegou a superar o patamar de R$ 47,00 em algumas praças.

Essa queda do preço do suíno deve-se à redução do consumo do mercado interno, com o fechamento ou redução da demanda de bares e restaurantes e as restrições à realização de festas e eventos. A diminuição do consumo afetou especialmente os frigoríficos de médio e pequeno porte e o “mercado de porta” que em várias regiões do Brasil tiveram o abate reduzido em até 20%.

A expectativa é de que esta redução significativa na demanda e, consequentemente, no preço pago ao produtor seja, em parte, transitória, pois para as próximas semanas é prevista uma gradativa flexibilização das medidas restritivas ao comércio e circulação de pessoas implementadas pelo Ministério da Saúde e pelos Estados.

A ACRISMAT entende que a abertura dos comércios deve trazer um alento no sentido de aumentar a procura pelas carnes, incluindo a suína. O que também causa grande preocupação é a queda do preço do frango, a carne mais competitiva em termos de preço e o aumento da demanda (preço) do ovo comercial (proteína animal mais barata), além da queda significativa de venda de cortes nobres de carne bovina no mercado doméstico. Estes são sinais claros de redução do poder aquisitivo e da óbvia redução de gastos da população em geral diante de uma crise econômica, ainda sem previsão para terminar.

Entendemos que uma iminente e inevitável onda de demissões e fechamento de pequenos negócios pode agravar ainda mais a crise pela qual estamos passando; afinal, não há como tratar saúde e economia como assuntos distintos. Não se engane, um não existe sem o outro.

E, por fim, é preciso deixar claro: Neste momento, não existe a separação entre empregados e empregadores. O que existe é um sério risco de que todos estejam, em muito pouco tempo, enfrentando as mesmas consequências de uma crise econômica sem precedentes que, certamente, pode ser evitada ou atenuada com medidas adequadas para a nossa realidade.

Se continuar da maneira que está, ao fim da pandemia, não existirão mais postos de trabalho a serem ocupados. Não se engane, pois várias empresas serão fechadas e não voltarão a abrir. Pense nisto!

Cuiabá, 20 de abril de 2020.

Itamar Antônio Canossa, diretor Presidente da ACRISMAT

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