Visão do Agronegócio

Agronegócio é mais conformado com PIB de 2019 e otimista para 2020, com reformas

As condições para tanto são depositadas nas reformas que aguardam na fila, entre as quais a administrativa, vista como a principal
Sexta-feira 06 de Março de 2020
Money Times
Agronegócio é mais conformado com PIB de 2019 e otimista para 2020, com reformas

O avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, menor do que o previsto pelo próprio governo, ficou dentro do esperado pelo agronegócio. Ao contrário de alguns depoimentos de agentes dos setores terciário e de serviços mais ‘urbanos’, relatados pela imprensa, há certa unanimidade e conformismo com o crescimento do ano passado, pouco abaixo do último do governo Michel Temer.

E enquanto há um efeito carrego para o início de 2020, além de um cenário desafiador instalado pela epidemia global do Covid-19, produtores e líderes nacionais e regionais de entidades, ouvidos por Money Times, acreditam em um ambiente melhor para 2020.

As condições para tanto são depositadas nas reformas que aguardam na fila, entre as quais a administrativa, vista como a principal.

Arlindo Azevedo Moura – CEO e presidente do Conselho da Santa Colamba Agropecuária: O crescimento tímido de 1,1% no PIB de 2019 já era esperado. Infelizmente este crescimento retarda a perspectiva de melhora de vida de cidadãos angustiados há cinco anos, desde a estagnação de 2014. Estamos numa encruzilhada porque o setor produtivo não se motivou a fazer investimentos com juro baixo nem consegue exportar mais com o câmbio alto, porque falta confiança. Sem as mudanças e as reformas necessárias não podemos esperar muito de 2020, talvez tenhamos um PIB em torno de 1,5%.

Amaury Pekelman – presidente da Udop:  O aumento do PIB em 2019 reflete um ano de recuperação na economia, de ajustes importantes. Foi o primeiro ano do governo Bolsonaro, o início de uma retomada econômica, com a aprovação da reforma da Previdência. Para 2020, mesmo com a ameaça de uma epidemia de Covid-19, que pode atrapalhar a economia mundial, estamos otimistas quanto a um crescimento do PIB em relação ao ano passado, desde que haja reformas estruturais importantes, tão necessárias para nosso País.

Daniel Freire – diretor-geral do Frigorífico Mercúrio: PIB 2019 ficou dentro do esperado e inclusive acho que foi muito positivo, diante da crise que nós vínhamos. Sem a reforma da Previdência, nem isso teríamos. 2020 a expectativa é melhor, a construção civil está sendo retomada, gera emprego e gera consumo interno. Junto com inflação contida, será bom para as carnes e produtos agrícolas. Mas reformas devem acontecer, apesar da imprensa mostrar um embate entre o Planalto e o Congresso. Vamos aprovar a reforma Administrativa, mais importante, porque dá um plus para o governo voltar a investir. A Tributária não pode ser de forma açodada. E Paulo Guedes está certo em tentar abrir o setor bancário. A Selic está baixa mas o custo do dinheiro está ainda muito alto e tolhe investimentos.

Ariovaldo Zani – vice-presidente-executivo Sindirações: Esse crescimento de 1,1% em 2019 é resultado do retrocesso de mais de 2,5% do PIB público, mas revela, ao contrário, avanço de mais de 2,7% do PIB privado. Essa é uma relação interessante. O setor público tem que administrar bem o orçamento, saúde, educação e segurança. Já para 2020 não acredito que a gente alcance 2% de crescimento, levando em conta a diminuição do comercio global, tanto pelo conoravpirus e quanto por outros fatores, além dos internos. Os poderes legislativo e executivo têm que deixarem a vaidade de lado e convergir interesses para as reformas que promova um crescimento contínuo e necessário para atender essa demanda de desempregados e melhorar o PIB perca capita.

Luiz Carlos Bastianello – presidente da Cooabriel: Minha percepção para o resultado de 1.1% do PIB 2019 se deu em decorrência dos investimentos menores que previstos, com contribuição acentuada pela lentidão da reforma da previdência. O consumo das famílias abaixo do esperado relacionado a menor número de novos empregos contribuiu muito para essa taxa. 2020 é ainda uma incógnita em decorrência do alvoroço mundial causado pelo coronavírus. Se a epidemia se resolver em curto tempo, dependeremos ainda das reformas necessárias para gerar investimentos mais robustos. Estes fatores farão de 2020 como um ano desafiador e imprevisível.

Renato Cunha – presidente do Sindaçúcar Pernambuco e Novabio: No mundo atualmente, os grandes crescimentos do PIB têm ocorrido na Ásia. De resto, na zona do euro, mais tímido. Caindo na américa latina. O crescimento de 1,1% no Brasil mostrou que o país tem bons fundamentos e que deve voltar a crescer. Mas só terá crescimento nos moldes asiáticos quando houver condições para uma realidade mais desenvolvimentista. Desoneração de tributos e reformas que passem segurança aos investidores. Com o andamento das reformas Administrativa a e fiscal possamos ter esse ambiente. Esperamos dessas bandeiras do Congresso e executivo para um País de crescimento mais igualitário, mais justo e inclusivo.

Afrânio Brandão – presidente do Conselho da Sociedade Rural do Paraná: O PIB de mais 1,1% perto do que foi os últimos anos é até positivo, inclusive porque revertemos a negatividade de todos os efeitos da disputa entre China e Estados Unidos. Para 2020 estou otimista porque vamos conseguir um crescimento maior, mesmo com essa questão do coronavírus pairando sobre a economia.

Luiz Carlos Chiocca – presidente da CoperCampos: O PIB de 2019 ficou dentro das expectativas porque foi um primeiro ano de muitos acertos na economia. Sobre 2020 estou otimista. Acredito que vamos atingir de 1,5% a 2% tranquilamente, com o sem coronavírus. Penso até que a epidemia não vai interferir muito nos negócios. O que já está acontecendo no Brasil é uma efervescência muito grande da economia e até certo aumento da renda perca capita do brasileiro. E 2021 será ainda melhor que 2020.

Alexandre Lima – presidente da Feplana: Temos expectativa de um PIB melhor. Mas com essas crises e algumas reformas importantes que não foram feitas no final do ano passado, como a administrativa e a tributária, temos esperanças que agora elas andem para que tenhamos condições de uma economia melhor.


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