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Grande Hotel será revitalizado. Espaço deve abrigar centro de Economia Criativa de MT

O resultado final do processo de licitação foi publicado nesta quinta-feira (27.02) no Diário Oficial da União e do Estado de Mato Grosso
Sexta-feira 28 de Fevereiro de 2020
Graciele Leite
Grande Hotel será revitalizado. Espaço deve abrigar centro de Economia Criativa de MT

A empresa TMF Construções e Serviços Eireli venceu a licitação da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e será a responsável pela reforma do Grande Hotel, patrimônio histórico e cultural de Mato Grosso, localizado na avenida Getúlio Vargas, atrás da Catedral de Cuiabá. O prédio será restaurado para abrigar o Centro de Referência da Economia Criativa de Mato Grosso. Ao todo, serão investidos R$ 4 milhões na obra, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O resultado final do processo foi publicado nesta quinta-feira (27.02) no Diário Oficial da União e do Estado de Mato Grosso. O critério de escolha foi o de menor preço. Os próximos trâmites agora serão a assinatura de contrato e posterior emissão da ordem de serviço pela Secel. Após esses encaminhamentos, a empresa começa a obra e terá um prazo de 18 meses para entregar o prédio revitalizado.

“Esta é uma ação muito esperada pelo poder público e pela sociedade. Vamos resgatar o Grande Hotel, um importante patrimônio histórico e cultural de Cuiabá, que será fundamental para viabilizarmos as ações voltadas ao desenvolvimento da economia criativa no nosso Estado”, destaca o secretário Allan Kardec Benitez.

A obra será executada no conceito de Retrofit, que tem a proposta de revitalizar edifícios antigos, envolvendo um processo de modernização e readequação dos espaços, mas preservando a arquitetura original. Também prevê a adequação dos prédios às necessidades atuais de uso, possibilitando o uso da tecnologia e a acessibilidade, por exemplo, oferecendo melhores condições de uso e conforto para a população.

De acordo com o coordenador de Patrimônio Cultural da Secel, Robinson Araújo, uma das mudanças visíveis para a população será a cor do prédio, que deixará de ser cinza. “Vamos buscar a cor original, por meio de uma técnica que identifica as camadas de tinta até encontrar o tom da primeira pintura”. 

Além disso, haverá restauração do piso, esquadrias, banheiros, cobertura, construção de elevador, novos sistemas de iluminação, elétrica, telefonia e tecnologia da informação, entre outros. “Todas as intervenções no Grande Hotel deverão buscar atender às novas demandas funcionais, mas garantindo a preservação das características arquitetônicas, estilísticas e ambientais do edifício”, explica Robinson.

Vale lembrar que, apesar da obra ser feita por uma empresa contratada, a execução será orientada, acompanhada e fiscalizada por técnicos da Superintendência de Patrimônio Histórico e Cultural da Secel.

O projeto

O Centro de Referência de Economia Criativa será um espaço dedicado à inovação, consultorias, capacitação, network, eventos, desenvolvimento e geração de novos empreendimentos, emprego e renda no mundo das artes, negócios digitais e criações funcionais.

O prédio será formado por espaços com ambientes flexíveis e dinâmicos, que atenderão todos os segmentos da economia criativa, definidos no Programa Mato Grosso Criativo. A ideia é que o espaço seja um local de trabalho, capacitação e convivência conectando empreendedores de segmentos distintos.

Os espaços de convivência vão desde loja e café cultural até espaços de multiuso para exposições, performances, shows, saraus, sessões de filmes, palestras e oficinas. Para além de espaços de lazer e interação, o Grande Hotel da Criatividade contará salas de aula, laboratório de informática, salas de reuniões, salas de consultoria, biblioteca, coworking, design de jóias, modelagem e moda, coworking startups, ateliês livres para criação, estúdios de fotografia, de vídeo e de áudio, ilhas de edição, além de programação mensal de incubação de negócios, oficinas, palestras e cursos.

Grande Hotel

Tombado como patrimônio histórico e cultural em 1984, o Grande Hotel, como é conhecido, foi inaugurado em 1941 e integra o conjunto de obras oficiais do governo de Getúlio Vargas. Na época, o então presidente entendia que toda cidade importante deveria ter um Grande Hotel.

De acordo com o coordenador de Patrimônio Cultural da Secel, Robinson Araújo, a edificação foi durante muito tempo  classificada como de estilo arquitetônico Art Déco, mas hoje novas interpretações da arquitetura descrevem o Grande Hotel como estilo neocolonial. O neocolonial foi um movimento do início do século 20 que buscava uma arte genuinamente nacional, oferecendo novas bases para a modernização da arquitetura no Brasil, mas sem desconsiderar as raízes e referências do Brasil colônia.

O Grande Hotel foi construído com dificuldades de logística, mas chamando a atenção e interesse da população local, dada a dimensão e ineditismo da obra, e especulações se haveria hóspedes suficientes para ocupar aquele grande prédio, com 38 quartos, sendo apenas quatro deles suítes. Durante duas décadas serviu ao propósito inicial, tornando-se ponto de encontro e referência para acomodação com qualidade na época. Empresários, autoridades, políticos – entre eles o presidente Getúlio Vargas – e celebridades estavam entre os hóspedes.

Porém, já na década de 60, o Grande Hotel deixou de funcionar. Passou então a ser sede do extinto Banco do Estado de Mato Grosso (Bemat) à custa de uma série de reformas e ampliações. Inicialmente construído em formato em E, com particularidades como as varandas das fachadas, as obras para abrigar o órgão estadual excluíram os pátios dos fundos, que foram tomadas por salas administrativas com extensos corredores cegos. As intervenções foram menos radicais nas fachadas voltadas para a rua, conservando muito da aparência original.

Foi restaurado em 2001, quando foram descobertas as estruturas ocultadas pelo Bemat, como escadas de serviço e forros de gesso dos salões. Também foram recuperados pisos em tacos de madeira e guarda-corpos metálicos. A partir daí, a Secretaria de Estado de Cultura, na época, instalou-se no local, onde ficou até 2015. Desde então, tem sido utilizado para uso interno da Secel, que desocupará totalmente o espaço para o início da obra. 


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