Agronegócio

Há 40 anos o Brasil ainda importava alimentos, diz Blairo

O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, rebateu as críticas sobre a crise do setor agropecuário, durante a abertura do Fórum das Cadeias Produtivas, nesta segunda (10), evento que está ocorrendo na 53ª Expoagro de Cuiabá.
Segunda-feira 10 de Julho de 2017
Reportagem
Há 40 anos o Brasil ainda importava alimentos, diz Blairo

O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, rebateu as críticas sobre a crise do setor agropecuário, durante a abertura do Fórum das Cadeias Produtivas, nesta segunda (10), evento que está ocorrendo na 53ª Expoagro de Cuiabá. “Precisamos evoluir sim, investir em pesquisa e tecnologia, melhorar logística, diminuir a burocratização e preocupar com as questões ambientais, porém lembro que há 40 anos o Brasil ainda importava alimentos e não tínhamos o setor agropecuário tão expressivo como hoje em dia, onde somos destaques em qualidade, tecnologia e exportação”, disse o ministro.

A Operação Carne Fraca e o recente embargo da carne brasileira feito pelos Estados Unidos afetou o setor pecuário, mas inúmeros esforços estão sendo feitos para reverter a imagem do Brasil no exterior, mostrando a qualidade do que é produzido no Brasil.

O Mato Grosso Econômico traz para você a opinião de alguns representantes do setor agropecuário de Mato Grosso referente aos desafios e tendências do setor.

Blairo ressaltou que a competitividade no mundo tem crescido em um ritmo acelerado. “A China já passou o Brasil nas exportações este ano e a Ásia está aumentando o seu crescimento populacional. Hoje pouco mais de 50% da população mundial está localizada nessa região, sendo que 1,8 bilhão de pessoas está na classe média e a demanda por alimentos e produtos é crescente. Até 2030 serão 3,2 bilhões de pessoas. Temos que focar na Ásia que é onde teremos grandes negócios no futuro” destaca.

Aumentando a demanda por matéria-prima, também cresce a necessidade por produtos. Os chineses estão cada vez mais comprando empresas brasileiras para dominar as cadeias do agronegócio e cuidar dos insumos, produção, beneficiamento, transporte e logística.

A verticalização da produção é vista como algo necessário em Mato Grosso, mas não é tão simples, segundo o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do estado de Mato Grosso [em transição], Ricardo Tomczyc, presente no evento. “Para isso evoluir é preciso entender se os grandes países compradores de matéria-prima do estado estão dispostos a comprar o produto acabado. Mas com planejamento e mudança de cultura, acredito que isso pode dar certo no futuro”, disse.

A questão é que o Brasil compra o produto final muito mais caro, sendo que a origem produtiva é o próprio país, segundo afirma o presidente da Associação dos Produtores de Algodão de Mato Grosso (Ampa), Alexandre Schenkel. “Hoje o produtor vende a R$ 5,33 o Kg do algodão. Se o consumidor compra uma calça a R$ 60 reais em Santa Catarina ou Nordeste [polos têxteis), isso simboliza em torno de 10 vezes mais o quilo da pluma. E se comprar uma calça importada a R$ 600,00 vai pagar cerca de 100 vezes mais a base de cálculo do quilo do algodão”, ressalta.

Já o presidente do sistema Famato, Normando Corral, disse que a maior preocupação neste mercado competitivo é o conhecimento. “Hoje quem mais acessa o site do Instituto Mato-grossense de Economia e Agropecuária (Imea), que traz todos os dados do mercado regional, não é o Brasil, mas sim países como Estados Unidos e a China. Eles estão mais atentos nos movimentos de mercado do que os produtores locais” disse.

“Precisamos avançar na verticalização da produção e lutar para que o plano safra seja estabelecido pelo menos de 2 em 2 anos, para que os produtores possam se planejar melhor, ao invés do sistema anual”, ressaltou o presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, que disse ainda que a ineficiência logística é um dos principais fatores a serem resolvidos no estado. Lembrou também, que a produção de soja nesta safra foi de 31 milhões e do milho cerca de 30 milhões de toneladas e comentou que a qualidade dos grãos de Mato Grosso é bem elogiada por diversos países.

Com relação à tendência do agronegócio de um modo geral, o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, disse que o caminho é investir em ciência e inovação. “A vantagem competitiva de hoje pode não ser a mesma de amanhã. O rápido avanço tecnológico faz com que haja necessidade de adaptações”, destaca Maurício no painel que juntamente com os membros participantes elogiaram a iniciativa do presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires, em realizar o debate sobre os desafios e o futuro do agronegócio.

A programação do Fórum das Cadeias Produtivas ocorre de 10 a 14 de julho durante a 53ª Expoagro de Cuiabá.

Clique aqui e veja a programação completa do evento.


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