Perdeu o controle

Mauro Mendes perde controle e ofende presidente de Federação das Indústrias de Mato Grosso, Gustavo de Oliveira

Gustavo de Oliveira disse que o setor industrial pode ter uma perda de 3 mil empregos diretos e 10 mil indiretos.
Terça-feira 02 de Julho de 2019
MT Econômico
Mauro Mendes perde controle e ofende presidente de Federação das Indústrias de Mato Grosso, Gustavo de Oliveira

O governador do estado, empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso - Fiemt, Mauro Mendes ofendeu o atual gestor da entidade, Gustavo de Oliveira, após críticas à revisão dos incentivos fiscais e possível aumento na carga tributária do estado.

Após a reunião ocorrida ontem (1), na Assembleia Legislativa, o atual presidente da Fiemt, Gustavo de Oliveira disse que o setor industrial pode ter uma perda de 3 mil empregos diretos e 10 mil indiretos.

Mauro Mendes rebateu dizendo que essa situação chegou ao caos devido a co-responsabilidade do próprio Gustavo de Oliveira, que na gestão anterior foi secretário de Fazenda do governo de Pedro Taques.

Parando para avaliar, o último secretário de Fazenda do governo Taques, após a saída de Gustavo de Oliveira, foi e ainda é, Rogério Gallo. Isso significa que olhando para o retrovisor como Mauro Mendes está, deixa de observar que o maior responsável na transição do governo Taques é Rogério Gallo, seu atual secretário.

No entanto, sem desmerecer Rogério Gallo, pois é um ótimo profissional que está se esforçando também para resolver os conflitos e impasses existentes na pasta da Fazenda, o governador deve lembrar que o estado não começou na gestão passada e nem nessa gestão. Isso significa que Mauro Mendes não pode “pessoalizar” conflitos colocando a culpa em um ou outro secretário, ou nos governadores anteriores.

Antes de Mendes assumir o poder Executivo ele já sabia o desafio que iria enfrentar e está sentindo na própria pele o que é governar um estado, que é diferente de dirigir uma empresa, dificuldade tanta nos últimos tempos devido à crise nacional, que a sua entrou até em recuperação judicial.

Na avaliação do MT Econômico, espera-se que o foco seja na melhoria dos atuais problemas e estímulo ao desenvolvimento econômico do estado e que o poder público não perca os trilhos da situação. E por falar em trilhos, Mauro Mendes estuda "enterrar" de vez o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT que já teve cerca de R$ 1 bilhão investido, conforme declaração à imprensa essa semana. Mas isso ainda está em andamento e vamos observar o que vem pela frente.

Talvez o governo precise “abrir os olhos” para as Parcerias Público-Privadas (PPP´s) para encaminhar algumas soluções existentes e entender que “caçar as bruxas” generalizando todos que possuem benefícios fiscais não é a solução. O que é dever do governo é punir as irregularidades e empresas que não possuem legitimidade para receber incentivos e que não gerem a contrapartida necessária ao desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso. Essas sim, devem ser o alvo do poder público e não todo o mercado.

Entenda o caso

Na semana passada, o atual governador encaminhou uma mensagem à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, um projeto de lei para convalidar a remissão e reinstituição dos benefícios fiscais - lei complementar n° 160/2017, conforme publicado anteriormente pelo MT Econômico neste link.

Além da falta de diálogo com os setores empresariais na “minirreforma tributária”, como vem sendo tratado pelas entidades representativas e empresários, Mauro Mendes tem tentado emplacar aumento de impostos em várias atividades no estado. Até setor que tenta diminuir o impacto no meio ambiente, como de energia solar pode ser afetado. Circulam nas redes sociais que “nem o sol ficou de fora” das medidas do governador de Mato Grosso.

Em artigo recente do jornalista Onofre Ribeiro cita com uma visão ampla que o governo tem tentado lutar contra o mecanismo público na tentativa de reduzir o déficit governamental. No entanto, a luta do governador parece estar sendo contra os setores empresariais e população, pois se forem aprovados os aumentos previstos em várias cadeias setoriais, além do fechamento de empresas e desemprego, isso também vai refletir diretamente no preço dos produtos ao consumidor. Isso pode gerar desequilíbrio econômico no mercado e afastar investidores que acreditam em Mato Grosso.

Falando em investidores, o MT Econômico recebeu a informação de que R$ 5 bilhões de investimentos foram paralisados no estado em projetos de plantas de etanol de milho devido à atual situação.

Alerta aos investidores

Você que é investidor ou empresário que acompanha o MT Econômico, nosso alerta oficial é que tenha cautela nos investimentos no estado nesse momento, até ser definida uma situação mais clara sobre como ficará a questão tributária de Mato Grosso e quais os efeitos que a insegurança jurídica pode gerar enquanto o setor público e empresarial tentam resolver os conflitos existentes.

A Federação das Indústrias de Mato Grosso - Fiemt emitiu uma nota à imprensa.

Nota oficial Fiemt

*NOTA À IMPRENSA*

A diretoria da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) lamenta a personificação dada pelo governador Mauro Mendes à discussão sobre os incentivos fiscais, demonstrada em comentários pessoais direcionados ao atual presidente desta casa, Gustavo de Oliveira. 

Os posicionamentos públicos do presidente da Fiemt refletem o entendimento dos 64 membros da diretoria da entidade, que representa 38 sindicatos empresariais da indústria e que já foi presidida pelo atual governador. 

Não podemos perder o foco do que precisa ser debatido, que é o futuro do desenvolvimento de Mato Grosso, o apoio à industrialização, à geração de empregos e ao crescimento econômico. Qualquer coisa fora disso não contribui para o processo.

*FIEMT | Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso*

Cuiabá, 02 de julho de 2019


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