Nova diretoria Ampa

Novo presidente da Ampa, Paulo Sérgio Aguiar, fala sobre Lei Kandir e mercado do algodão em solenidade de posse

A possível extinção ou revisão da Lei Kandir é um fator que preocupa bastante os produtores, pois as margens de produção já estão apertadas
Quinta-feira 28 de Novembro de 2019
MT Econômico
Novo presidente da Ampa, Paulo Sérgio Aguiar, fala sobre Lei Kandir e mercado do algodão em solenidade de posse

Nessa quarta-feira (27) aconteceu a solenidade de posse da nova diretoria da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em Cuiabá/MT. O produtor rural Paulo Sérgio Aguiar foi eleito presidente para o triênio 2020-2022 no processo eleitoral da Associação ocorrido no início desse mês de novembro.

Paulo Sérgio Aguiar, que foi o primeiro secretário da atual gestão, substitui o produtor Alexandre Schenkel, que esteve à frente da Ampa desde 2017 e deve finalizar o mandato no final deste ano.

O novo dirigente da Ampa falou sobre a expectativa e os desafios do setor. Durante entrevista com o MT Econômico e jornalistas locais, ele comentou sobre a Lei Kandir e rebateu críticas em relação ao uso de defensivos agrícolas nas propriedades rurais.

A possível extinção ou revisão da Lei Kandir é um fato que preocupa bastante os produtores, pois as margens de produção já estão apertadas. “Se a Lei Kandir acabar, vamos inviabilizar a cotonicultura brasileira de um modo geral”, ressalta o novo presidente da Associação Mato-grossense de Algodão. 

Em relação ao uso de defensivos agrícolas, Paulo lembrou que em meados de 1500, o brasileiro tinha a expectativa de vida de 35 anos e hoje, aumentou para 78 anos. “De lá para cá veja o quanto o agronegócio cresceu. Se os defensivos fossem tão prejudiciais assim, não teríamos essa evolução na expectativa de vida. Existem técnicas aplicadas no campo para não contaminar os alimentos. Os profissionais da área rural também recebem equipamentos e treinamentos para evitar a contaminação", comenta.

Sobre a verticalização (industrialização), o novo dirigente da entidade considera um processo natural, mas que para isso acontecer não é necessário acabar com a Lei Kandir. “É importante criar um programa de incentivo às indústrias, para termos um produto competitivo com o chinês. Não adianta nada verticalizar aqui dentro e não termos competitividade lá fora. O produto da China sempre vai ser mais barato, pois a mão de obra deles tem um custo menor. Se aumentarmos impostos sobre a produção, vamos criar algo fictício e os objetivos não conseguirão ser atingidos”, alerta o novo dirigente da Ampa.

O deputado federal Neri Geller, presente no evento, disse ao MT Econômico e jornalistas que a bancada federal está atuando fortemente para defender o setor produtivo. “Fizemos o enfrentamento para barrar a PEC 42 sobre a extinção da Lei Kandir, que estava pronta para ser votada no Senado Federal. Seria um desastre para o agronegócio e para o mercado. Se isso acontecesse, além de inibir a produção, também deixaria de estimular novas regiões em Mato Grosso, como Juína, Tabaporã, entre outras", disse.

O parlamentar lembrou que o agronegócio movimenta muitas cadeias produtivas e com isso paga diversos impostos. “Mato Grosso tem 70% do PIB alicerçado no agronegócio e a receita do estado nos últimos 4 anos cresceu mais de 50% por conta do agro. Não pagamos de 8 a 12% do ICMS sobre as exportações com a Lei Kandir, dependendo da região, mas será que não contribuímos com a economia? Para produzir pagamos o diesel, compramos fertilizantes, geramos folha de pagamento, movimentamos o comércio, adquirimos máquinas agrícolas, plantadeiras, colheitadeiras e tudo isso paga-se impostos, sem contar o frete, caminhão, pneu, peças e por aí vai”, questiona Neri Geller.

Mercado

A cotonicultura de Mato Grosso veio de um tempo para cá numa escalada de produção e aumento de área conforme publicado anteriormente pelo MT Econômico neste link. A visão do novo presidente é tentar manter o setor em bom nível e se possível ampliá-lo.

No entanto, o principal desafio hoje é o mercado. “O mercado está em baixa nesse momento, mas temos que fazer o dever de casa da porteira para dentro, reduzir os custos para poder evoluir” disse Paulo Sérgio Aguiar.

A recente alta do dólar, segundo o novo presidente, acaba equilibrando o setor, pois apesar dos insumos utilizados nas lavouras de algodão serem dolarizados, o preço de venda da pluma aos países acaba equilibrando as contas. “O que nos preocupa mais é a baixa do mercado em Nova Iorque, porque os preços acabam caindo”, ressalta.

O produtor rural Eraí Maggi também foi entrevistado e lembrou que apesar da queda de 15% a 20% no preço do algodão recentemente, já faz 6 anos que o setor caminha bem. “Estamos tendo bons resultados nos últimos 6 anos. Outra coisa que temos que valorizar é que o algodão é uma cultura produtiva que integra produtores, profissionais, tecnologia e investidores do mundo todo. E Mato Grosso é um campo fértil. Estamos praticamente construindo 2 andares de terra. No mesmo solo fizemos uma safra de soja e de algodão, isso é ímpar, só tem aqui em Mato Grosso. Temos a felicidade de ter um clima muito favorável no estado. Existem lugares que tem neve, seca entre outras coisas que atrapalham a produção. 

No entanto, Eraí citou alguns desafios para os próximos anos. “Os desafios são muitos, incluindo a parte regulatória dos portos, as aduanas, a questão sanitária e ambiental, a velocidade para carregar os containers, a navegação, logística, questões trabalhistas, financiamento da produção e ainda temos que fazer o produto chegar com qualidade nos outros países”, relata Eraí Maggi.

O atual presidente da Ampa, Alexandre Pedro Schenkel, que passa o cargo para Paulo Sérgio Aguiar, lembrou que os produtores se preocupam em manter sempre a qualidade do algodão, já que Mato Grosso é referência para o mundo. “Entregamos um excelente produto aos nossos clientes e temos que honrar nossos contratos e dar garantia de produção. Temos três fatores que ajudam muito a manter o nível da pluma: o primeiro é que Mato Grosso possui o clima bom, favorável, outra coisa é a terra boa, que nos permite trabalhar com tecnologia e por fim, temos gente, pessoas que se dedicam à atividade e faz com que a produção se desenvolva”, enumera Schenkel. 

Alexandre Schenkel continua no cargo de presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) até o final de 2020, onde exercia o cargo em paralelo ao de presidente da Ampa.

Solenidade de posse

A posse contou com a presença do setor produtivo local, representantes nacionais de associações e inúmeras autoridades, incluindo o vice-governador do estado de Mato Grosso Otaviano Pivetta e alguns deputados estaduais.

Novo presidente da Ampa

Paulo Sérgio Aguiar é natural de Engenheiro Beltrão, no Paraná e nascido em família de produtores rurais. Desde pequeno convive com a produção agrícola. É casado, tem 46 anos e possui 2 filhos. Além do algodão, produz milho, soja e cria gado nas regiões de Novo São Joaquim, Querência, Confresa e Ribeirão Cascalheira. Seu grupo empresarial emprega cerca de 400 colaboradores.

Confira a chapa eleita para gestão 2020-2022:

Diretor Presidente – Paulo Sérgio Aguiar

Diretor Vice-presidente – Sérgio Azevedo Introvini

Diretor 1º Secretário – Alexandre De Marco

Diretor 2º Secretário – Antônio Trento Scheffer

Diretor 1º Tesoureiro – André Guilherme Sucolotti

Diretor 2º Tesoureiro – Gustavo Pinheiro Berto

Diretor Regional Centro – José Nery Lazarini

Diretor Regional Centro Leste – Romeu Froelich

Diretor Regional Médio Norte – Alex Nobuyoshi Utida

Diretor Regional Noroeste – Cleto Webler

Diretor Regional Norte – Amilton José de Oliveira

Diretor Regional Sul – Celso Griesang

Conselheiro Fiscal Titular – Eraí Maggi Scheffer

Conselheiro Fiscal Titular – José Carlos Dolphine

Conselheiro Fiscal Titular – Orcival Gouveia Guimarães

Conselheiro Fiscal Suplente – Rudolf Thomas Maria Aernoldts

Conselheiro Fiscal Suplente – Ivan Konig

Conselheiro Fiscal Suplente – Valdir Roque Jacobowski



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