A alta de preços sobre os combustíveis chegou ao gás natural veicular comercializado em Cuiabá e Várzea Grande. Na semana passada, o metro cúbico (m³) da matriz passou de R$ 2,84 para R$ 3,19, majoração de pouco mais de 12%, ou de R$ 0,35 por cada m³. O reajuste levou inclusive a protestos por parte de motoristas de aplicativos, que assim como consumidores do GNV, foram pegos de surpresa com a movimentação do mercado. Apenas quatros postos de combustíveis revendem o GNV em Mato Grosso e todos eles se concentram nas duas cidades.

O presidente do MT Gás, Rafael Reis, explica que o reajuste na venda para a distribuidora foi de apenas R$ 0,10 e que a diferença até a bomba se dá por “questões de mercado”. “A MT Gás optou pelo piso, de R$ 1,45, aumentando R$ 0,10”, frisa. Antes era comercializado a R$ 1,35.

“Foi um custo definido, já que a MT Gás estava sendo deficitária. Como concessão pública não pode ser deficitária. A GNC e os postos fizeram as contas dos custos deles e optaram por repassar um reajuste maior”, concluiu.

Por meio de nota, o governo do Estado explica que o preço básico do GNV foi regulamentado pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager/MT), “cumprindo com o que determina lei federal. O valor estabelecido ficou entre R$ 1,45 a R$ 1,52. A MT Gás cumpriu com a regulamentação tarifária da Agência e estipulou como preço, a ser praticado na venda do produto na distribuidora, o valor mínimo estabelecido pela Ager, que é de R$ 1,45, o metro cúbico. O preço final do produto, ou seja, o praticado na bomba pelos postos de combustíveis é controlado pelo mercado, não tendo qualquer relação com o governo. Além disso, Mato Grosso é o Estado que tem o GNV mais barato do Brasil”.

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A alta causa revolta em quem se utiliza desse combustível, pois abastecer com GNV em Cuiabá e Várzea Grande demanda disposição. São pelo menos duas horas de espera e com filas até na madrugada. Flaviano Santos, que trabalha como motorista de aplicativo, explica que passou a fazer uso de GNV desde maio, quando usou parte de sua rescisão para instalar o kit gás. “Estava ficando horas na fila para abastecer e agora a fila segue {e cada dia maior em razão da alta da gasolina e do álcool} e vamos pagar mais caro pelo gás. No Brasil só existem políticas de desestímulo para tudo”. Ele conta ainda que por morar próximo ao aeroporto, tem optado por abastecer entre 23h e 0h para evitar filas. “Mas parece que todo mundo está tendo essa idéia”, lamenta.

JUSTIFICATIVAS – “A MT gás existe há 15 anos, mas nunca foi criada uma regulamentação tarifária que desse segurança jurídica à tarifa cobrada a venda do gás natural para a modalidade Gás Natural Comprimido (GNC), que é a modalidade que a empresa entrega aos postos. Nós solicitamos que a Ager fizesse a regulamentação, até porque estamos fazendo chamadas públicas para novas distribuidoras de GNC”, afirmou.

O presidente afirma que houve uma falha na comunicação para que toda rede soubesse do aumento. “O problema houve porque comunicamos a empresa GNC Brasil quando solicitamos a regulamentação e informamos que poderia haver um aumento de até R$ 0,12, em junho. Pensamos que a informação seria repassada aos postos, que por sua vez passariam para os clientes”, explica.

Ainda de acordo com a nota do governo do Estado, Mato Grosso oferta o menor valor do País para o m³ do GNV, conforme monitoramento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mais caro está no Rio Grande do Sul, R$ 4,89. Considerando o Centro-Oeste, apenas Mato Grosso e Mato Grosso do Sul dispõe dessa matriz. No estado vizinho o preço médio é de R$ 4,492, em Campo Grande.

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