O Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo) se manifestou acerca do atual cenário de queda de preços sobre a arroba do boi, em Mato Grosso. Por meio de nota, o presidente da entidade, Paulo Bellincanta, destaca que a redução de preços é real e que não chega ao consumidor final por culpa do varejo. “Essa distorção mostra a ganância de um elo que não quer fazer parte de uma corrente da cadeia”, pontua.

Desde a confirmação de dois casos de vaca louca no País, um em Mato Grosso e outro em Minas Gerais, a China – maior importador da carne bovina brasileira na atualidade – suspendeu suas compras e essa recusa pela proteína animal já dura mais de 50 dias e afeta o elo de produção da bovinocultura, com constantes baixas sobre a arroba e acúmulo de carnes que vão sendo estocadas nos frigoríficos. O fato foi noticiado pelo Mato Grosso Econômico anteriormente. Veja mais aqui

Houve quedas de 15% a 20% na arroba do boi e na carne da indústria para o atacado, mas no balcão não teve nenhuma queda, ou seja, foi 0%, o que o varejo baixou em seus produtos, denuncia Bellicanta.

Como explica do Sindifrigo, setembro foi marcado por grandes alterações na cadeia produtiva da agropecuária. “Como era de se esperar as grandes mudanças provocam ajustes nem sempre acompanhados ao mesmo tempo pelos elos da cadeia, porém existe neste momento uma distorção que chama atenção do mais leigo observador e deixa o consumidor confuso, já que ele escuta nos noticiários sobre a grande baixa dos preços da arroba do boi, mas percebe que não há  movimento no preço da carne”.

Ainda segundo a nota, “nesta confusão inadvertidamente, se começa a achar culpados, queimando amigos e parceiros de lutas, por isso, está na hora de o balcão mostrar sua parceria, baixando os preços do produto e proporcionando maior vazão a nossa produção. Se há um inimigo articulando intriga em nosso meio esta é a hora de mostrarmos nossa união sem crucificar amigos. Os balcões dos açougues e supermercados precisam se engajar na cadeia e não se apresentarem como inimigos”.

Do campo à mesa, o boi passa por três etapas: produção, o atacado e o varejo. A ´bronca’ com o varejo é antiga. Em 2017, por exemplo, o quilo da carne em Mato Grosso atingia preço recorde no Estado, justamente em um momento de crise de preços para a bovinocultura, com desvalorização da cotação da arroba, que naquele momento atingia os menores patamares desde 2012.

Além das distorções apontadas pela indústria, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) chama à atenção para o momento de incertezas ao mercado da carne bovina, pois sem a previsão de retorno das compras do mercado chinês, somado com a concentração de maior oferta dos animais confinados previstos para outubro, o cenário fica incerto sobre o destino que as indústrias darão para a carne já processada.

“Com a demanda externa reduzida, devido à suspensão da China e o baixo escoamento da proteína no mercado interno, estoques foram formados nas intermediações industriais e os frigoríficos passaram a pressionar as cotações da arroba, desde setembro em Mato Grosso. Diante disso, os produtores tentaram segurar seus animais dentro da porteira na expectativa de retorno à normalidade dos preços no curto prazo, o que justificou a queda de aproximadamente 30% no volume de animais abatidos, ante o mês passado. Com isso, a utilização real dos frigoríficos, em setembro deste ano foi de 60,99%, recuo de 14,95 pontos percentuais (p.p.) ante a agosto. Este é o segundo menor resultado da série histórica, com início em 2010”.

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