WALMART BRASIL

Advent estuda por fim a marca Walmart no Brasil

Uma fusão entre GPA e Carrefour, discutida desde 2012, também estaria fora de questão, por riscos concorrenciais
Sexta-feira 09 de Agosto de 2019
Estadão
Advent estuda por fim a marca Walmart no Brasil

O fundo americano Advent pensa em por fim a marca Walmart Brasil, um ano após adquirir a operação de 400 lojas e faturamento de R$ 28 bilhões.

A possibilidade reflete a série de erros que o Walmart cometeu desde o início de suas operações por aqui, em 1995, diz Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult. O lema “preço baixo todo dia” nunca foi entendido pelo consumidor brasileiro. “A estratégia promocional é incentivo para o consumidor ir à loja. Sem ela, a frequência fica comprometida”, diz. “Além disso, o cliente não achava que, na soma do carrinho, o Walmart era mais barato que as outras.”

O Advent não comprou o Walmart no escuro. Ao se comprometer a investir cerca de R$ 2 bilhões na varejista nos próximos anos, o fundo sabia dos gargalos. Antes de fechar o negócio com o fundo no ano passado, a matriz americana vinha tentando se desfazer das operações do Brasil havia dois anos. O negócio chegou a ser oferecido ao Pão de Açúcar e ao Carrefour.

Conversões

Sob o comando de Luiz Fazzio – que teve passagens por GPA, Carrefour e C&A e é sócio minoritário do Walmart Brasil –, a varejista está seguindo a estratégia das líderes do setor no que se refere à reorganização de lojas.

Uma das táticas é a conversão de hipermercados – segmento de baixo retorno – em atacarejos. Entre as 400 lojas do Walmart, mais de 100 unidades são no formato de hipermercados. Fontes do setor duvidam que a estratégia de priorizar o atacarejo possa resolver os problemas do grupo até porque Assaí e Atacadão – do GPA e do Carrefour, respectivamente – são marcas maduras e que continuam a se expandir. “A concorrência percebeu a rejeição ao hipermercado antes e está mais adiantada no processo de reformatação de lojas”, diz Beeck.

Em março, o Walmart também fechou a operação na internet – hoje, o site se resume a uma lista das lojas físicas. Segundo apurou o Estado, a ideia é retomar a venda online, com a entrega de alimentos. Em 2017, ainda sob a gestão anterior, a rede fechou seu site próprio de venda de eletrodomésticos, enquanto o Advent encerrou o marketplace em março.

Abertura de capital

Para o Advent, a “virada” do Walmart do Brasil deverá ser um trabalho de longo prazo, até porque o desempenho do setor como um todo não tem sido positivo. A abertura de capital do grupo na Bolsa depois do processo de reorganização está no radar do Advent, segundo fontes.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a receita do setor teve alta de apenas 0,7% em 2018. Segundo apurou o Estado, porém, a “porta de saída” vislumbrada pelo fundo também emula as rivais GPA e Carrefour: a ideia é abrir o capital da operação quando a casa estiver arrumada.

Fundo fez oferta pelo GPA

As negociações entre o fundo de private equity (que compra participações em empresas) Advent para a aquisição do Grupo Pão de Açúcar no Brasil esbarraram na complexa estrutura acionária do dono do GPA, o grupo francês Casino, apurou o Estado. Isso apesar de, segundo fonte próxima às conversas, o Advent ter ofertado um prêmio de 20% em relação ao preço atual das ações do GPA na Bolsa.

Controlada pelo Casino, a rede Pão de Açúcar tem a colombiana Éxito, que também pertence ao grupo francês, entre suas acionistas. Esse sistema de participação cruzada – que pesou para o negócio com o Advent não ir adiante – está sendo revista pelo Casino. Os franceses, porém, teriam interesse em unir em um “pacote” os ativos na América do Sul, e não de vender o Brasil separadamente.

Proteção. Endividado, o Casino entrou com pedido de proteção na Justiça na França, em maio. O grupo tem até novembro do ano que vem para apresentar proposta de reestruturação de suas dívidas aos credores e para evitar a venda de ativos considerados como “joia da coroa”, como o GPA no Brasil.

Uma fusão entre GPA e Carrefour, discutida desde 2012, também estaria fora de questão, por riscos concorrenciais. No início de 2018, emissários do Casino e do Carrefour voltaram a conversar sobre uma possível fusão de seus negócios na França – ideia que não avançou.


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