A guerra entre a Rússia e a Ucrânia está provocando grandes desdobramentos na economia mundial. Sem falar na política e nas percepções sociais no mundo todo. Vamos nos deter nas econômicas.

O preço dos combustíveis vai subir cada vez mais no mundo todo. O mesmo em relação aos fertilizantes que tem considerável participação da Ucrânia e da Rússia. Ambas sofrem restrições comerciais no momento. No mundo haverá falta de fertilizantes. Isso traz grandes transtornos. Certamente num prazo curto se encontrarão soluções tanto econômicas quanto tecnológicas.

Vale lembrar. Em 1973, por conta de desavenças políticas no Oriente Médio, a OPEP – Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo aumentou o preço de barril de 2 para 14 dólares de um dia para ao outro sem aviso prévio. O Brasil entrou em crise porque precisava importar mais de 50 por cento do petróleo que consumia.

A consequência mais imediata foi a queima das reservas cambiais brasileiras. O país precisou recorrer a empréstimos externos pra bancar o consumo interno do petróleo e aumentar a sua já pesada dívida externa. A necessidade de resolver essa pendência levou o Brasil a pesquisar o álcool de cana. Em 1975, como resposta, surgiu o programa Proalcool – Programa Nacional do Álcool, uma iniciativa brasileira e respondeu bem ao desafio de diminuir a dependência externa do petróleo.

Foram fabricados 5,6 milhões de automóveis movidos a álcool entre 1975 e 2000. No universo de 10 milhões de veículos rodando no país economizou-se 11 bilhões e meio de dólares. O programa evoluiu e hoje produz-se etanol de cana e de milho num universo de grandes avanços tecnológicos presentes e futuros.

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 Trago a discussão, porque da mesma forma que o Proalcool, a questão dos fertilizantes poderá resolvida pela fórmula semelhante: a inovação. Considerando a urgência de soluções e a entrada de governo novo no ano que vem, as chances da inovação prevalecer sobre a burocracia e o ambientalismo ideológico é muito boa.  Lá atrás o álcool de cana foi essencial pro país. Agora soluções tecnológicas sobre os fertilizantes e outros segmentos conexos parece muito boa também.

Por isso, não vejo como o fim do mundo a crise atual dos fertilizantes e afins. O setor produtivo de hoje é muito mais amplo, mas avançado e mais tecnológico do que há quase 50 anos trás na época da crise do petróleo. É uma questão de confiança no país!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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