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Opinião: A voz rouca das ruas (7 de setembro)

A frase é deputado Ulysses Guimarães na época da emenda das Diretas Já. Ulysses era um grande líder nacional de oposição e reconhecia a força dos grandes comícios em favor da aprovação da emenda proposta pelo deputado federal de MT, Dante de Oliveira. O maior dos comícios juntou 1 milhão de pessoas em SP há quase 40 anos.

Nesta terça, 7 de setembro, o dia da independência, alguns milhões de pessoas estiveram nas ruas do Brasil. Nas Diretas, sabia-se o motivo dos comícios. E agora? Lembro que os movimentos de rua no Brasil recomeçaram em junho de 2013 com os estudantes protestando contra 20 centavos nas passagens de ônibus. Mas terminaram discutindo a corrupção política e os gastos da copa do mundo de 2014. Antes e durante o impeachment de Dilma Rousseff novos movimentos de rua. Na época Bolsonaro gerou muitos movimentos. Tudo na sequência. Na verdade, é o mesmo movimento com diversas caras e em momentos diferentes. Por isso as manifestações desse 7 de setembro precisam ser vistas como uma represa rompendo desde 2013.

Anoto abaixo alguns dos motivos das pessoas irem às ruas hoje:

1-      Parte vai em apoio ao presidente Bolsonaro

2-      Parte vai contra a esquerda e o PT

3-      Parte vai contra as ameaças à democracia

4-      Parte vai contra a censura que o STF impõe à liberdade de expressão

5-      Parte vai em protesto contra a militância política-ideológica do STF

6-      Parte vai contra a corrupção dos partidos políticos e a corrupção dos políticos com mandato parlamentar

7-      Parte vai contra a CPI da Pandemia

8-      Parte vai contra a omissão do Congresso Nacional nos grandes temas

9-      Parte vai contra a corrupção política do Congresso Nacional

10-  Parte vai contra a corrupção no Estado brasileiro

11-  Parte vai contra a ineficiência do Estado brasileiro em relação aos cidadãos

12-  Parte vai contra os impostos altos e serviço público ruim

13-  Parte vai contra o preço dos combustíveis e do gás de cozinha

14-  Parte vai contra o preço da energia elétrica

15-  Parte vai contra o preço alto dos alimentos

16-  Parte vai contra a mídia tradicional militante ideológica

17-  Parte vai contra os ineficientes poderes da República, desvirtuados e caríssimos

18-  Parte vai contra as brigas entre os poderes

19-  Parte vai contra o serviço público considerado improdutivo

20-  Parte vai com a consciência adquirida ao longo da pandemia do Covid 19, quando a saúde pública virou balcão de negócios

21-  Parte vai com indignação contra o espírito de Estado, a quem hoje se despreza porque no período da pandemia virou palanque de comícios eleitorais

22-  E, por último, parte vai com a consciência de que não pode mais terceirizar pro Estado e nem pra política ou pra economia o destino dos brasileiros. Pode-se dizer que desta vez os brasileiros estão indo às ruas com a disposição do “seja o que Deus quiser”.

Resta-nos esperar e assistir como a arrogância do Estado e dos poderes vai lidar com milhões de pessoas indignadas e sem medo protestando nas ruas. Ao que se viu até agora, as manifestações estão sendo vistas com grande deboche pelos poderes. Fica a advertência que a História nos mostra: errar na percepção da força popular sempre tem custos altíssimos pra quem a ignora.

Pagaremos pra ver o novo Brasil pós-pandemia. Lembrando que as mesmas ondas de indignação popular estão varrendo a maioria dos países, incluindo as grandes potências. Há um aspecto espiritual que poderia abordar em outro momento. A voz rouca das ruas está gritando no mundo!

Podemos nos preparar: cada vez mais gente nas ruas e cada vez mais frequente e sem medo do Estado, do judiciário, da política e da repressão.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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