Demanda Menor

Crédito de bancos diminuem no 2º trimestre

Apesar das despesas crescentes com provisões, em todos os bancos, os índices que medem atrasos em pagamentos de mais de 90 dias para pessoas físicas e jurídicas
Terça-feira 13 de Agosto de 2019
Folha Press
Crédito de bancos diminuem no 2º trimestre

Por conta da economia ainda estar em ritmo lento, os bancos deram uma segurada no crédito no segundo trimestre. Enquanto Bradesco, Itaú e Santander emprestavam 10% no primeiro trimestre, no segundo caiu para 7,5%.

No Banco do Brasil, já tinha crescido menos de 1% no primeiro trimestre e agora o total emprestado ao fim de junho chegou a ficar menor do que o registrado em igual mês de 2018.

O resultado fraco levou a uma revisão nas projeções para o ano, o que em abril o presidente da instituição, Rubem Novaes, indicou que não esperava fazer. Até março, o banco previa crescer de 3% a 6% no crédito, mas agora revisou os números considerando que os empréstimos podem se retrair até 2% e, se crescer, não será mais do que 1%.

"Nós não temos feito nenhuma restrição adicional em relação ao apetite de risco. Se a carteira não cresce mais é porque não houve maior demanda", diz o presidente do Itaú Unibanco, Candido Brahcher. Ele diz que a meta será crescer 8% neste ano, na faixa mais pessimista do intervalo estabelecido para o ano, que está entre 8% e 11%. No segundo trimestre, a alta no crédito foi de menos de 6%, mas segundo Bracher em função da variação cambial de empréstimos no Chile e na Colômbia.

As carteiras mais atingidas foram as de grandes empresas. Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil estão reduzindo o tamanho delas durante este ano. Já o Bradesco ainda cresce, mas se no primeiro trimestre as grandes empresas tomaram 14,5% mais crédito no banco, no comparativo anual, esse porcentual caiu para menos de 5% no segundo trimestre. No total, a carteira do banco cresceu 8,8%, ligeiramente abaixo de sua meta para o ano.

Agora, os presidentes dos bancos privados também voltaram a exercitar o discurso otimista, principalmente depois que a reforma da Previdência foi aprovada na Câmara dos Deputados. Com isso, eles entendem que no último trimestre do ano a economia voltará a crescer e por isso mantém suas metas de crescimento no crédito.

Por enquanto, é a área de varejo que está puxando o crescimento das carteiras, com empréstimos a pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Na média, os empréstimos para pessoas físicas cresceu 15% nos três bancos privados. Mas isso também afetou as despesas com provisão para devedores duvidosos. Tanto Itaú quanto Santander explicaram que este perfil de tomador de crédito traz mais risco e portanto são necessárias maiores provisões.

O presidente do Santander, Sergio Rial, disse que a oferta de crédito tem sido ampliada mas tem que fazer junto com educação financeira. O objetivo é evitar uma onda de calotes mais na frente, que piore os índices de inadimplência. No segundo trimestre, a carteira de crédito total do banco cresceu 9,3%, com destaque para o segmento pessoas físicas, que avançou 18%. O total emprestado a grandes empresas caiu 6%. No primeiro trimestre, a carteira total havia se expandido em 10,8%.

Apesar das despesas crescentes com provisões, em todos os bancos, os índices que medem atrasos em pagamentos de mais de 90 dias para pessoas físicas e jurídicas estão estáveis. No Santander, esta taxa é de 3%. No Bradesco de 3,23% e no Itaú de 3,5%. No Banco do Brasil, um calote específico em um empréstimo para o agronegócio fez a inadimplência saltar de 2,61% para 3,25% entre o primeiro e o segundo semestre.

Mas com crédito crescendo menos ou não, os bancos continuaram reportando lucros recordes. Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander lucraram 21% a mais do que no mesmo período do ano passado, o equivalente a R$ 21,5 bilhões. O BB foi o que mais cresceu percentualmente, cerca de 35%, mas calcado basicamente no menor pagamento de imposto com a mudança de alíquota de CSLL. O banco pagou R$ 1,3 bilhão a menos do que no ano passado, levando seu lucro no segundo trimestre a 4,4 bilhões.


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